A BELA MONOTONIA DE UM ESTAR

Quando cheguei em casa,
ela me serviu, como de hábito,
o almoço à mesa:
ao prato,
arroz, feijão, caruru,
um pouco de abóbora marimba
e dois bifes à milanesa;
ao corpo cansado,
olhos em lágrimas, sonhos naufragados,
e esperanças mortas por minhas
quedas mastreadas;
em minha alma,
uma estranha e dilacerante dor,
por ter perdido seus nobres
ventos e viagens
em consequência
de minhas incautas incursões
por ângulos contrários.
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