DAS ASAS DE UMA CRIANÇA

Havia esperanças
escorregadias aos chãos
e espêndidas imagens
aos oníricos céus,
coloradas de cores e luzes
tantas vezes regozijadas em repetidas
em sublimes e sempiternas
melodias-dádivas
pelos sapiens passarinhos
que permiti me adentrarem o fértil
e secreto jardim
de outrora.
após um tempo
de inevitáveis e cruciantes quedas,
com a mente anestesiada, os pés
e as asas quebrados,
as mãos enlamaçadas,
o coração sofregado e a alma naufragada,
foram-se sumindo os sinais vitais
de quaisquer auroras antes
vividas feridas;
restando tão somente,
sobre o seco terreno que ficou, as falésias
escovadas das dores
e angústias),
tantas vezes fabricadas
a ilusões incautas, a palavras voláteis
e a tênues esperanças
cansadas.
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