Polícia
Parece que passou, apenas, um segundo;
pois, lembro
das nossas primeiras férias de dezembro.
No fundo, éramos tão crianças;
mas guardo na lembrança,
aquela vez...
Misturando coragem com timidez,
arrependo só de uma coisa que a gente não fez;
que, de repente, foi a única, talvez,
de cada roubar do outro um beijo.
Mesmo com o desejo, tivemos medo;
porém, mais tarde, aquele beijo poderia vir mais cedo.
Como sentíamos, um covarde, de maneira encorajada,
estávamos, assim, do nada,
de mãos dadas.
E logo me veio à pergunta:
O que fazer estando nossas mãos juntas?
E continuando juntas nossas mãos,
como resposta, me levou para a varanda.
Assim, rodou-me feito pião;
e, ali, já depois, estávamos nós dois,
brincando de ciranda.
Por isso digo a importância
da infância;
porque vejo que, naquela época,
não tínhamos nenhuma malícia.
Pensava (não com essa mesma ignorância):
Se eu lhe roubasse apenas um beijo,
poderia você chamar a polícia?
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Argumentando ! – 01-02-2015
Ao deus-dará, eu andei
Neste mundo de aventura,
Nunca, nunca encontrei
A felicidade e ventura.
…
Armando A. C. Garcia
Àquele que na vida venceu a morte – (soneto) 28/04/ 2022
Àquele que na vida venceu a morte
E na sombra dela encontrou a vida,
Assim um dia, foi renascer tão forte
…
Armando A. C. Garcia
Aquarelas destoadas - (soneto) - 18/04/2016
Nas memórias da distância em que vivi Guardei alimentadas as esperanças, Mesmo rasgados os destroços que senti, Encontro neles, ainda, va…
Armando A. C. Garcia
Aponta o poente. - 04/07/2026
O tempo passa
A vida encurta,
A dor que grassa
A perna encurta.
Ingrato destino
…
Armando A. C. Garcia