ELA DECIDIU E NADA PUDE FAZER

... certa vez
uma flor de inverno encheu
o cemitério com anjos e putos
fantasmas,
sempre a me dizer
"Passado, amor, passado,
eu te amo e sou só sua, acredita
em mim?";
e eu,
que nunca brinquei vestido
de santo, logo lhe falava "não,
não posso acreditar, poisnem tu mesma
acreditas mais em ti!".
Some time later,
padecemos ambos de tumores pesados,
de modo que só nos sobraria
uma libertação;
e foi esta época
que ela, não sei como, decidiu
e me avisou sacramentando:
"Como eu meu sonho,
minha escolha foi definitivamente feita;
eu me vou corredeira abaixo e de lá
continuarei a te ver
voando!"
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