A FLOR DO DESERTO V
Não sei de que são feitos as asas
que nos permitem voar
por entre os jardins e os espetáculos
do mundo;
sei que, a todo momento,
forjamos sonhos e ideais quase idílicos,
com nossas esperanças
exíguas e vãs,
postas em um próximo
veleiro a zarpar sob céus azuis,
em uma próxima vesania
a surgir como brisa
matutina,
ou num belo par de pernas
a se abrir extaticamente em algum leito;
sempre com destinos certos
a quedas, cinzas
e vazios.
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