As mãos em uso
Nos rumos do dia, crispadas, as mãos
parecem rede de pesca, uma peça de roupa
mal cerzida, puxada por pinças elétricas
com o mundo agarrando-se a elas
desconhecidos pedindo notas em sol
ou em ré menor, pois todos nós nos atrasamos
de nós mesmos, perdemos de vista o Outro, até que a carência
entra de vez no palco, e as mãos enfim se armam
em torno da madeira logo transformada
em barco - porque música é onda.
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