Lugares
Conheço um lugar sem nome e sem datas
cobrindo o ir e vir cotidiano
onde inexiste o hábito de roer unhas
e assim, por exemplo, o lar se torna um
suborno difícil de ser aceito
um laboratório que se abre de colmeia
mas é pesadelo cobrindo o trajeto
garagem-escada-sala-banho-quarto
uma aldeia comum, que não desmoraliza o espanto.
Conheço um lugar com nome e datas
cobrindo o ir e o vir da fala das ruas
nas quais, após lutas, vige o hábito de se roer unhas
e assim o lar se torna um suborno
fácil de ser aceito (livros na varanda, bike na escada)*
neste laboratório que se abre de colmeia
às vezes pesadelo cobrindo o ir e o vir da sala ao quarto
enfim uma aldeia "que desmoraliza o absurdo".*
Conhecemos, sim, ecos imaginários.
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