a(braços) com a saudade...
Lembro a aldraba da porta
lembro da candeia acesa
concentrada vou estranhando
não ver a família ceando
será que já está morta?
Essa é a cruel certeza!
Pelo postigo olho o firmamento
e no telhado em frente
ainda o velho cata-vento,
cheira a morno a madrugada
anjos habitam a capela mor
Esquecida? Só minha memória!
Por cada lembrança arrancada
rezo à Srª. da Vitória,
de quem sou devota com amor.
Apanho o tempo encostada à porta
além o rio... mais ao longe
a aldeia engalanada,
a passar vai o cortejo;
lá vou mais viva que morta
pedir à Santa um desejo.
A banda enche a paisagem de sons
e as raparigas vaidosas porque é festa
vestem de mil tons
e os rostos antigos voltam à rua
sinto-os sonolentos, de voz sumida
alguma debilidade,
efémeros momentos de felicidade
agora tristeza... no coração a saudade!
Tantos anos...tantos passos!
Meus sentimentos estão baços
as paredes com bolor
fotografias na parede a envelhecer
descubro rostos pendurados
puxo a aldraba da porta
toda a sua gente morta
só ela não vai morrer,
tantos anos...tantos passos!
Meus sentimentos estão baços.
natalia nuno
Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=263114 © Luso-Poemas
lembro da candeia acesa
concentrada vou estranhando
não ver a família ceando
será que já está morta?
Essa é a cruel certeza!
Pelo postigo olho o firmamento
e no telhado em frente
ainda o velho cata-vento,
cheira a morno a madrugada
anjos habitam a capela mor
Esquecida? Só minha memória!
Por cada lembrança arrancada
rezo à Srª. da Vitória,
de quem sou devota com amor.
Apanho o tempo encostada à porta
além o rio... mais ao longe
a aldeia engalanada,
a passar vai o cortejo;
lá vou mais viva que morta
pedir à Santa um desejo.
A banda enche a paisagem de sons
e as raparigas vaidosas porque é festa
vestem de mil tons
e os rostos antigos voltam à rua
sinto-os sonolentos, de voz sumida
alguma debilidade,
efémeros momentos de felicidade
agora tristeza... no coração a saudade!
Tantos anos...tantos passos!
Meus sentimentos estão baços
as paredes com bolor
fotografias na parede a envelhecer
descubro rostos pendurados
puxo a aldraba da porta
toda a sua gente morta
só ela não vai morrer,
tantos anos...tantos passos!
Meus sentimentos estão baços.
natalia nuno
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