VERSO A VERSO
VERSO
A VERSO
Verso a verso
Acordo o lirismo falso
E as torturas silentes
De quanto adverso;
Verso a verso
Exprimo o sumo
De mim mesmo colhido
Ou de outro universo;
Verso a verso
É que me disponho
À limpidez da tempestade
Ao fogo de uns sonhos;
Verso a verso
Desfibro o mundo
Desde os seus arcabouços
E então recomeço;
Verso a verso
Atiro a pedra da ideia
No lago de pensar
O que ainda estremeço;
Verso a verso
Me aproprio do brado
E do silêncio impávido
Que me disperso;
Verso a verso
Penetro as margens
Das montanhas, e névoas
Em salto desconexo;
Verso a verso
Dispo a verdade retórica
Para dirimir a loucura
À qual me confesso;
Verso a verso
Me inicio na combustão
De uma brasa faminta
Que me traz imerso;
Verso a verso
Liberto a ave do caos
Pela cavidade incoercível
De onde sou egresso.
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