SENTINELA
SENTINELA
As flores são dispostas na janela
Espelhos cicatrizam a luz do dia
O ventre do céu engole nuvens
Um momento disperso se recria
Por entre sombras que ressurgem
Como sentinelas dos meus receios
Entre bruscas e inúteis cordilheiras
Através da qual estão a deslizar
Os enganos de uma vida inteira
Na corda bamba partida ao meio
Bem sei quem sou nessa fronteira
E sei o que busco dessa estrada
Ainda a que agruras me destinam
As pegadas pelo pó que estala
A contornar os mesmos caminhos
Mas que acendam essa fogueira
E a alma queime o que a abrasa
Outras distâncias e rumo ignorado
Vou-me lançar ao sol a vida inteira
Ainda que derreta a cera das asas.
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