Rostos
Bendito seja eu que não tinha esse rosto de ontem
nem de trasanteontem e menos ainda o rosto do amanhã,
porque o amanhã não existe para os mortos, e tu e eu
já assim estamos: debaixo do limo, sim, há tempos
a terra nos salga, lembra: em certas aldeias ainda se é recebido
com salva de prata contendo sal e pão, mas já não somos
admitidos, nem um e nem outro, portanto, maldito seja eu
maldita sejas tu, aclimatada estejas tu também no que
te cabe neste novo infernal latifúndio.*
*****
Neste poema há alusão a Fernando Pessoa e Cecília Meireles (ambos na primeira estrofe)
e João Cabral de Melo Neto (última estrofe).
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
cores
tarde em cores frias boca triste avermelhada pingo azul mão molhada sala com luz amarela
manhã quente céu laranja …
feudido
delírio encapsulado
presa estou pela manhã a recolher as lágrimas livre sou à noite ao te recolher em minha cápsula quando me transbordar, a tez partida será…
Kátia Surreal
Dissonantes, se confundem - 09/09/2026
Será que a alegria é irmã da tristeza
Dissonantes, separadas se confundem,
A alegria é a exultação do bem estar
…
Armando A. C. Garcia
Muros de pedra ! - 24/07/2026
Eu tinha o mundo perdido
Na palma de minha mão,
Livre e solto, sacudido
Sem dinheiro, sem tostão.
…
Armando A. C. Garcia