ARQUEJO DENTRO DO PEITO
Na varanda, o tédio me exaspera.
E o que sinto, tange-me dentro de mim.
Pois, o coração é tangido
Pelo fulgor obsoleto do amor.
Que trama luxúrias indolentes contra mim.
Não sei se quero
O ímpeto dos seus amplexos,
Ou se esmero-me no içar de seus lábios
Que me atassalham.
Fico imergido em seus roçados.
Mas, nesse arquejar,
O bosquejo da afeição
Faz-me contrair afagos imexíveis,
Convergindo-me aos teus apelos
Que me amarra; impõe-se imponente...
Seus dotes intatos me enlouquecem.
Assim, nesse horizonte impingido
Sonho com o amor impassível,
Que me faça abdicar
Dos desgostos que a vida evocar.
-Charlan Fialho
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