Estava Antônio
Estava Antônio a olhar a Lua, ausente,
perdido em sonhos vagos sobre a amada,
a auréola do crescente nacarada,
enquanto divagava, a sua mente.
Queria tê-la junto a si, mais nada,
a doce Filomena, simplesmente,
porque com todo amor que Antônio sente,
não pode nem sonhar vê-la apartada.
Enfim, quer ver a jovem, toda sua,
perder-se no calor do seu regaço
e exclama: ― Já nem sei mais o que faço!
Então toma uma corda e a prende à Lua,
segura numa ponta e dá um salto
e alcança Filomena, Antônio, incauto.
Nilza Azzi