COXIA [Manoel Serrão]
D’ante as luzes da ribalta, Eu as vias. Eu as vias, do fundo escuro da coxia?
Eu as vias nos rostos disformes dos seres disfarces,
Sujeitos esquálidos de todas as faces;
Nas dores resignadas das suas derrotas;
Nas hóstias comungadas das suas vitórias;
Nos trunfos imundos dos parasitários, o skol da normose reprodutiva.
Eu as vias nas coimas de Themis do “faça-o pagar” os pecados;
Nas ordens impostas pelas mentes estreitas dos governantes aos entes servis, onde os mortos vivos atentam contra a vida;
Nas vãs promessas aos desesperançados que em rompante vão do sublime ao ridículo;
Ó Eu as vias nos extratos divisos dos entes invisíveis de todas as classes.
D’ante as luzes da ribalta, Eu as vias.
Do fundo escuro da coxia?
Eu as vias nas consagrações aos tristes espetáculos das condenações;
Nas subjugações apaixonadas do “faça-o sofrer" como Cão;
Nas crucificações dos sonhos pelos poderes das multidões;
Nas ressureições do Cristo traído pelo dízimo da salvação;
Eu as vias nos arrastões dos corpos quão as contas de um rosário pela oração;
Nos todos sem vidas que no Ser só habita caminhões de certezas vazias;
Nas vísceras comungadas daquelas orgias;
Ó Eu as vias que vida no ser mais profundo daquelas entranhas que vidas consumidas e "intestinas" não havia.
D’ante as luzes da ribalta, Eu as vias.
Do fundo escuro da coxia?
Ó Eu as vias nas vidas dos seres incapazes de serem vidas reconstruídas;
Nas vidas hospides dos ócios e dos nojos sem os remorsos de "amores" apartados pelas bocas mais pobres do destino.
Ó Eu as vias na feal brutidão repulsiva do ser a matéria fria, com seus brilhos de purpurina de personas postiças;
Eu as vias nos rostos descarnes dos seres o Mau, nunca dos seres ao Bem o desate;
Nos todos os egos anônimos, invidos, acídias e ciosos sem a bossa das notas dissonantes;
Na plateia eu as vias o mote que importa? Importa é o que se vê, não o que se crê, ó eu as vias;
Ó Eu as vias quão vida não havia na flacidez esbranquiçada da carne morta uma só mórbida última despedida.
D’ante as luzes da ribalta, Eu as vias.
Do fundo escuro da coxia?
Eu as vias entre berros sonoros e ébrios aplausos, outra plateia caricata fora do pano de boca e a ribalta contra os aplausos.
Entre germes a vida aos fortes todo o combate, e aos fracos todos covardes os mais desprezíveis apupos da gare!
Entre rostos disformes de todas as faces,
Eu as vias contra faces desossadas de austera face, almas em sobras descarnes.
E ei-los! Ei-los até que os impassíveis por antífrases no Cine o cartaz anunciasse: Hoje estréia no neocinismo triunfante!
“Um alguém sem rosto na plateia do mundo”. Ó não as vias
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