MALDITOS! N°2
Facto: Malditos porque mal falados.
Porque muito mal lidos; mal descritos...
Os bons? Somente os mortos! No passado.
Tantos a maldizer-nos os escritos:
-- "Antiquados! Herméticos!! Absurdos!!!"
Ou sem nem ler (assim assim): -- "Bonitos..."
Se declamamos, fingem estar surdos;
Se publicamos, fingem que são cegos;
Um povo sem país igual os curdos:
Poetas... Filhos de sós desassossegos
Sempre a vagar sem pátria e sem dinheiro,
Indo sobreviver de subempregos;
Ou distante vagando, aventureiro,
Que por entre as palavras em vão erra
Sem nunca encontrar-se paradeiro.
Hoje, até Ahasverus possui terra!
No mesmo confim onde Israel governa
E o ismaelita de novo se desterra...
Não os malditos... D'esses é eterna
A caminhada errante vida afora
Atravessando as noites na taverna.
Ali, já sem saber se ri ou chora,
Senta-se e escreve em plena solidão,
Alheio mesmo da hora de ir embora.
Eis dos poetas a glória e a maldição:
Por fim, indiferentes se são lidos,
S'entregarem à própria escuridão.
Pará de Minas - 14 10 2018
Porque muito mal lidos; mal descritos...
Os bons? Somente os mortos! No passado.
Tantos a maldizer-nos os escritos:
-- "Antiquados! Herméticos!! Absurdos!!!"
Ou sem nem ler (assim assim): -- "Bonitos..."
Se declamamos, fingem estar surdos;
Se publicamos, fingem que são cegos;
Um povo sem país igual os curdos:
Poetas... Filhos de sós desassossegos
Sempre a vagar sem pátria e sem dinheiro,
Indo sobreviver de subempregos;
Ou distante vagando, aventureiro,
Que por entre as palavras em vão erra
Sem nunca encontrar-se paradeiro.
Hoje, até Ahasverus possui terra!
No mesmo confim onde Israel governa
E o ismaelita de novo se desterra...
Não os malditos... D'esses é eterna
A caminhada errante vida afora
Atravessando as noites na taverna.
Ali, já sem saber se ri ou chora,
Senta-se e escreve em plena solidão,
Alheio mesmo da hora de ir embora.
Eis dos poetas a glória e a maldição:
Por fim, indiferentes se são lidos,
S'entregarem à própria escuridão.
Pará de Minas - 14 10 2018
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