ACULTURADOS PELO BOI(-ISMO)
Aprendi com o professor José Nascimento de Moraes Filho (falecido em fevereiro deste ano) que o folklore maranhense é, possivelmente, se não o mais rico, mas aquele que guardaria a sua identidade mais próxima das raízes populares. E dentre todas, a mais forte manifestação floclórica do Estado é o boi bumbá. Até aí está tudo bem; tudo perfeito.
Infelizmente já não o tenho para um bate papo a respeito deste assunto. Infelizmente! E tenho certeza que, assim como eu, Nascimento de Moraes, também, não iria ficar calado diante de um processo de aculturamento da Cultura maranhense, sobretudo da Literatura.
Ninguém está aqui a negar o valor dos folguedos juninos que tem no bumba boi sua manifestação mais expressiva. Mas reduzir a Cultura e a Literatura maranhenses a essa corrente de boismo é algo desproposital e demonstra que os seus “pregadores” são sujeitosdespreparados para o encaminhamento de políticas culturais.
Esse boismo, tipologia de aculturamento, é avassaladoramente prejudicial para o campo das Artes maranhenses.
Aos meus olhos é a reedição pósmoderna do “Pão e Circo” romano: dê-se comida… bebida… e brincadeira para todos…
As outras manifestações artísticas, como a Literatura e a Pintura, por exemplo, estão subsumidas no “campo patológico” desse boismo nefasto.
A maior expressão literária de São Luis, e consequentemente da Cultura maranhense, para se ficar apenas neste exemplo, é a Poesia, mas esta está enterrada nas toadas de bois (infelizmente!), agora elevadas à condição do gênero poético. Quanta enganação! Quanta burrice! Quanta pataquada!…
Urge, pois, a retomada da identidade da culturalidade marânhica. Há que surgir movimentos capazes de represar esse boismo reducionista imbecil e produtor duma geração de analfabetos funcionais.
Penso que, se vivo estivesse, Nascimento de Moraes encamparia mais esta luta por intermédio do Comitê de Defesa da Ilha de São Luis, hoje jogado às traças e carrapatos dos imcompetentes.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Lembra:
estatísticas divergem driblam os muros os óvulos o plano de ontem e o mapa pretenso do amanhã vergando a base da estrutura em a…
Darlan de Matos Cunha
pisar nas folhas secas
crocante quando pisoteio as folhas secas do quintal das cidades há uma alegria cretina de sentir com os pés as partículas se desfazendo…
Kátia Surreal
Finalmente !!! - 22/09/2026
Finalmente teve um fim
Depois de tanto sofrimento.
Foi-se a amargura por fim
Da dor que me entristeceu.
…
Armando A. C. Garcia
quem vai pelo bosque
busca-se quem se deixa vai-se pelas folhas perde-se quando é chegada a hora a noite tem o tempo que quiser os dias são escuros tudo qu…
Kátia Surreal