Alçando voo na voz

Asa reclusa, mas plena,
No papel, paira a poesia.
Resiste ao tempo, à pena,
Ao criador e a quem lê.
Existe aos olhos apenas
De quem a fez ou a vê.
Asa latente, pré-voo,
Pulsa, silente, a poesia.

Silente, fala aos ouvidos,
Aos mais íntimos ouvidos,
Cinge à ideia o objeto,
Cinge ao passado o presente,
Cinge o universo à pessoa,
Une no verso o que é
Ao que, não-verso, não é.

Mas na voz alça seu voo,
Asa aberta, asa-som,
Vibrando tímpanos, plena,
Imprimindo-se ao vento,
Ao pensamento, que, voo,
Torna-se novo silêncio.

HENRIQUE, Jorge. (In) II Antologia dos Poetas Lusófonos. Leiria (Portugal): Folheto Edições e Design. abril, 2009. p. 212.
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