Abandono
Hoje abandono o canto da poesia;
escolho uma palavra e vou pra farra,
ajunto-lhe a segunda, que me esbarra,
e uma terceira, ah, quase me fugia...
Em cada esquina, alguma se desgarra
atrás de si estende a sombra esguia;
samba no pé, desfila a fantasia
depois se vai, fazendo uma algazarra.
E a poesia, esse ideal tão nobre,
nessas palavras já não se descobre;
vistas do avesso, repudia as três.
Quando retorno, não me reconhece
e me abandona, tira-me a benesse,
e o meu sentido esvai-se de uma vez.
Nilza Azzi
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