Soneto do verde imoderado
"Então pintei de azul os meus sapatos"
Carlos Pena Filho
Então pintei de verde os meus cabelos,
sem saber se acertava em tal emprego;
se na guerra e no amor não há sossego,
que morra verde o fruto e sem desvelos...
E o verde mar profundo a que me achego,
levanta, em verdes ondas, pesadelos
que o verde das palmeiras rasga em zelos
e tudo se transforma em desapego...
E na verdura insana da floresta,
vasculho sem saber se ali inda resta
uma esperança, ao menos, a brilhar.
Um vaga-lume o vago verde pisca
e, esverdeada, deixa uma faísca
e se a loucura é verde eu já não sei.
Nilza Azzi
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