Faíscas
Estrelas desse céu, noturno e magnífico,
segredos que guardais, contai-me, por favor!
Acaso vós sabeis por que vos dignifico,
por que vos tenho amor e a vós procuro expor
o sentimento atroz – não pode haver pior –
de alguém que busca a luz, mas segue como um cego,
nas trevas que jamais desfaz ao seu redor?
Espanta-me essa dor, sou fraca, isso eu não nego,
diante do que traz a mim o amor possível;
da dor sem salvação, da busca de um conforto.
Certeza de viver de um modo que deploro,
saudade de um querer; será que um dia tive-o?
Viver esse sem fim (o estado de absorto),
no amor que chega a mim, tal chuva de meteoros.
Nilza Azzi
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