Negação
O vento sopra baixo e faz tremer as folhas,
o tempo está suspenso e aponta a transição,
a luz também declina, as horas lentas vão...
Procuro o teu afeto. Espero que me acolhas.
A tarde é morna, o Sol sumiu naquele vão,
o vento sopra o céu, as nuvens formam bolhas
e logo mais o quarto enluará e, então,
meu canto largo ao vento. Espero que o recolhas.
Mas não, não quero isso, a Lua me aconselha
a contemplar no céu a estrela mais vermelha,
a entender que o sonho é construído assim,
na pretensão rasteira e o meu repúdio à guerra,
porque, se a solidão, qualquer mortal desterra,
jamais aceito a posse — é força estranha a mim!
Nilza Azzi
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