Sem medidas
Ah, se eu tivesse, em vez dessa certeza
um desquerer qualquer que me valesse,
razão que não me fosse igual, nem esse,
um vasto amor, com fúria que se apresa.
Mar revoltado, em ondas revertesse,
em luz que se dá brilho, antes de acesa,
em chama que nos arde a natureza
e a força que nos mora fosse haver-se...
E o mar engole e cospe − é ou não é
o mundo de nós mesmos feito avesso,
de um outro que nos vive, por tão forte.
Se é, se pode alguém manter a fé,
por mim já está tão certo, ou estremeço,
só de pensar que amor desvale o norte.
Nilza Azzi
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