Sem outras saídas
Deixei escorrerem as águas passadas
e os velhos moinhos, em torpe abandono,
sustentam as pás, essas mãos desoladas,
na desesperança do gesto que aciono.
Inúteis os grãos, as searas deitadas
caíram ao chão, antes mesmo do Outono...
E os velhos moinhos, beirando as estradas,
são outras moradas, mas nada questiono:
– O tom da paisagem, estranha, irreal;
o ar quixotesco e as pedras caídas,
na base do muro, pintado de cal.
Em tempos de outrora, sem outras saídas,
o meu pensamento sofreu, afinal,
o choque mortal de emoções preteridas.
Nilza Azzi
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