Transição
Um anjo, uma mulher, bateu à minha porta,
com flores nos cabelos e uma forma alada.
Quisera que ficasse (o tempo não importa)
e uma tarde qualquer, me desse a mão e nada
pudesse coibir que a trilha, embora torta,
surgisse à frente firme, em luz clara e dourada.
Na sua companhia, o amor sempre conforta
e a tepidez do abraço anula a madrugada.
Mas nunca coube a mim, ditar-lhe: “- Agora escolha!”
Apenas quis fruir do canto, um certo gozo,
enquanto perdurou, a ligação fatal.
Não posso reclamar, pois nunca me fez mal,
porém partiu, deixou-me em círculo vicioso,
em volta da Poesia: − a pétala e uma folha.
Nilza Azzi
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