Um pouco de sal
A caminhar tão lentamente (era a lesma),
espécie antiga, fadada à extinção,
deixava um rastro, um filete de si mesma,
sem vislumbrar mais premência... Tudo é vão!
Na insipidez de seu mundo sempre escuro,
no silêncio do buraco onde vivia,
naquele corpo indefeso e mal seguro,
sempre apartada, a fugir da luz do dia,
foi se arrastando... Porém, sem que esperasse,
no seu caminho encontrou uma barreira.
Tal molusco por não ter nenhuma face,
não tem noção da tragédia que se abeira:
sem perceber a razão, em si deságua;
some no sal, vira simples poça d’água...
Nilza Azzi
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