(Sem assunto)
Eu, com nenhuma criatividade,
Sem ideias, sem nenhuma inspiração,
Cuspindo um soneto alheio à pretensão.
Nem razão de ser, nem falar verdade.
Escrevo apenas porque deu vontade.
À margem de qualquer motivação.
Torço pra não transmitir emoção.
Pra que vestir versos de tempestade?
Apenas sigo atirando palavras,
Como atirasse pedrinhas num rio,
Ouso rimar “palavras” com “palavras”
Ouso até no infinitivo rimar
Eis um poema inteiro vazio.
Ora, porque nem todos sabem amar.
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