mfjlefou

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Formado em Filosofia, trabalha como pesquisador acadêmico da mesma. Escritor por necessidade, atualmente divide seu tempo livre entre composições teatrais, roteiros, artigos, romances e mesas de bares. De quando em quando, pode-se encontrá-lo sóbrio.

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Poesia de Poste


Encoste aí
e venha ler
essa poesia-
de-poste, que
fiz pra você.

Procura-se alguém
que já não procure
por mais ninguém.

achados e perdidos:
se eu me encontrar
eu deixo um recado.

um poste qualquer
mesmo com toda urina
sabe mais da vida
do que jamais saberei.

 

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Poemas

5

Poesia de Poste


Encoste aí
e venha ler
essa poesia-
de-poste, que
fiz pra você.

Procura-se alguém
que já não procure
por mais ninguém.

achados e perdidos:
se eu me encontrar
eu deixo um recado.

um poste qualquer
mesmo com toda urina
sabe mais da vida
do que jamais saberei.

 

185

Mágoa d'alma

 

Saudoso anjo meu que me sorriste,
Tocou-me numa noite estrelada,
Ai! Confessou-me sua ânsia tão triste
De fazer chorar a alma mais amada.

Nunca mais o anjo inquieto dormiste;
Pois tem a asa dos sonhos cortada
Não tem cura pra mágoa que insiste,
Sangrando partiu, meu anjo-da-guarda.

Coincidência, destino ou acaso?
Pro amor há vencimento de prazo?
Ainda ouço as estrelas em murmúrios.

Terraços, traços, cartas, mãos, mar, rio.
Levemente vou morrendo vazio.
E a Via láctea toda cabe num diário.

206

Da tentação


Pode ser belo o pecado
se de repente a gente,
em uma febre indecente,
deixa o decoro corado.
202

MilkShakespeare

 

Minha solidão se dava bem com a sua.
Tantas mensagens, quantas massagens lhe dei?
E infartos fulminantes em doçura nua,
meu coração, sem segredos, ao seu somei. 

Sou lobo dilacerado uivando à lua,
cheirando apenas o pó dos sonhos. Mas hey!
Respiro fundo, e o bem-querer perpetua;
um encontro noutra vida nos encontra, eu sei.

Mas saiba que foi com você que eu aprendi 
a viver e amar e às vezes ter que partir,
sim, errei, mas saiba que eu, agora, aprendi.

Não posso mais compará-la a um dia de verão;
lembrar seu sorriso já não me faz sorrir.
Mas, no escuro, canto ainda nossa canção.

Baixinho, 
          baixinho,
                    como um sussurrado beijinho beijando o ouvido
                                                      quem sabe você não possa ouvir?

 

212

(Sem assunto)


Eu, com nenhuma criatividade,
Sem ideias, sem nenhuma inspiração,
Cuspindo um soneto alheio à pretensão.
Nem razão de ser, nem falar verdade.

Escrevo apenas porque deu vontade.
À margem de qualquer motivação.
Torço pra não transmitir emoção.
Pra que vestir versos de tempestade?

Apenas sigo atirando palavras,
Como atirasse pedrinhas num rio,
Ouso rimar “palavras” com “palavras”

Ouso até no infinitivo rimar
Eis um poema inteiro vazio.
Ora, porque nem todos sabem amar.
224

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