Contrariamente ao que diz o poeta, não é a constatação da realidade que a humanidade sente como insuportável;
é a luz ofuscante da perfeição exemplar. (George Steiner – Passions Impunies).
Tu me acreditas, mas sou mentira.
Tu me duvidas? Sou verdadeiro.
Vasto mergulho... A mente delira!
E vou adiante, sem cativeiro.
Tu vens a mim e dons eu concedo,
abro-te as portas de outras esferas,
porém não caias no engano ledo:
– não mais serás o mesmo que eras...
Se em mim procuras a fantasia,
da realidade, negas a herança.
Bem mais perturba e te extasia
a perfeição que nunca se alcança.
Espelho opaco frente ao porvir,
tua presença é meu refletir...
Nilza Azzi
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