AMENDOEIRAS [MANOEL SERRÃO]
Lá onde se apara chuvas de estrelas na mão.Lá onde no ocaso nunca se põe o luzente Sol.
Lá onde senhor do império serei dono do destino.
Mas como o todo, falta para ser?
A cada dia vivo, noites insones...
A cada noite? Esvazio-me, para ser apenas uma espera...
E assim, como os poetas catam cada palavra no espaço?
Como os Poetas existem em cada palavra escrita enunciadas nas poesias ao mundo endereçadas...
Colho o lixo das minhas ervas amargas!
E os pedaços dos instantes no tempo; e,
Adubo-me as sementes das amendoeiras para as sombras do meu eterno.
Ó ei-las! Ei-las! São tantas belas borboletas amarelas.
Ó Ei-las! Ei-las! São tantas
libélulas azuis para o céu! Ó para o céu...
Aqui estão as minhas horas... Para o céu... Ó para os céus...
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