domínio
deixo meus dedos passearem pelo teclado
com a mesma impaciência
com que desenhava a lápis sobre o papel
palavras nascidas da memória antiga
e dessa intimidade sem fronteiras
retiro dos sentidos que me restam
os sons velozes das vogais
e as esperanças surdas das consoantes
procuro as sensações inusitadas
de quando se combinam as verdades
em vocábulos tontos de tristeza
em palavras loucas de alegria
e quando o espaço todo se recobre
de preto tanto quanto posso dar de mim
procuro descanso numa praça
e espero que essas aves tenham asas
nilza azzi
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