Velas ao vento
Na linha do vento, prossigo sem lei,
singrando esses mares, tão verdes, além...
Acima esse teto de céu azul rei,
meus rumos tomei, não me curvo a ninguém.
Se o vento se acalma ou se estaca de vez,
eu paro e contemplo a existência ao redor,
mas quando ele sopra, bem doce e cortês,
eu sou vela inflada e navego melhor.
No mar da poesia, as palavras eu pesco
e, ao tempo do vento, seguimos velozes,
nos damos as mãos, em completa união.
Os meus sentimentos aos verbos eu mesclo,
exponho minh'alma e juntamos as vozes
— veleiros ao vento, os meus versos se vão...
Nilza Azzi
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