Abelha
Qual abelha da flor, querer-te-ia
doce, meu doce amor, de tal doçura,
que o mel que eu fabricasse fosse pura
delícia ao paladar, fosse iguaria,
inesgotável fonte de ternura,
e assim, chegar-me a ti, dia após dia,
supondo que esse amor recriaria
a luz que minha alma inda procura...
Então a cor dourada do meu mundo,
em si traria um brilho esplandecente
─ a força criadora de uma aurora.
Mas isso é ilusão, sonho infecundo,
é voz de um sentimento que não mente,
mas baila ─ diz adeus ─ e vai embora!
Nilza Azzi
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