Circunvolução
Enquanto não houver a luz da perfeição,
o sonho não virá, serei poeta em vão.
Se na palavra pus efêmera esperança,
escapa o Ideal, o bem que não se alcança.
Nas brumas da manhã, espelho do Universo,
em busca de alvorar o conteúdo terso,
estranho à minha voz, esquiva-se o sentido.
Silêncio e estupor me abatem e, perdido,
percebo que a raiz, sem força se destaca
do solo onde nasceu, mantendo a forma opaca.
Como se fosse o pó indo ao sabor do vento,
recolho da emoção o nada que apresento:
Recebe um alvará, no verso que extravaso,
a dor mais forte em mim, contida por acaso.
(se você teve a gentileza de ler até o fim, leia agora de baixo para cima...)
Nilza Azzi
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