Minha querida Félix
Pelos largos campos te vejo no sonho a correr ao anoitecer,
Teus negros cabelos encaracolados a esvoaçar no vento
Corres, choras, ofegante cansada, desesperada, sempre a sofrer
Não interessa a hora, ou o dia ou o mês, que interessa o tempo?
Dona da inocência, da bondade e simplicidade
Dona de delicadeza, timidez e educação
Bordavas, costuravas, dominavas todas essas artes á mão,
Fada doce dona da magia, dona do amor e da saudade.
Falar-te-ia, hoje, sobre os fatos para as bonecas que fizemos,
Sobre as lantejoilas no lindo vestido de bailarina,
Sobre as brincadeiras, canções e meus protestos,
Sobre os sons da tua rua que mais nenhuma rua tinha.
Mas e os cozinhados avó? Ai que iguarias delirantes! Ainda as sei!
Sei sim… o cheiro e o sabor e a beleza dessas requintadas delicias,
Essa arte que nascia entre conversas, risos, lágrimas e confidencias,
Com paciência, com talento, sempre fada, irmã, esposa e mãe.
Tua neta Patrícia
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
cores
tarde em cores frias boca triste avermelhada pingo azul mão molhada sala com luz amarela
manhã quente céu laranja …
feudido
delírio encapsulado
presa estou pela manhã a recolher as lágrimas livre sou à noite ao te recolher em minha cápsula quando me transbordar, a tez partida será…
Kátia Surreal
Dissonantes, se confundem - 09/09/2026
Será que a alegria é irmã da tristeza
Dissonantes, separadas se confundem,
A alegria é a exultação do bem estar
…
Armando A. C. Garcia
Muros de pedra ! - 24/07/2026
Eu tinha o mundo perdido
Na palma de minha mão,
Livre e solto, sacudido
Sem dinheiro, sem tostão.
…
Armando A. C. Garcia