Flutuando, onde vais corpo, onde vais mente? Sinto a brisa, sinto a caricia suavemente, Liberdade, voando pelos campos, pelo ar É cheiro a flores, cheiro a arvores, cheiro a mar
Suave é esta brisa, suave é este movimento, Não peço mais, só quero este sentimento Leva-me suavidade, leva-me liberdade,
De quem é esta força de onde vem? de mim? Ao parar não sei se é o início ou o fim. Perdi-me, mas que importa saber um caminho? Não quero o certo, não quero um destino
Flutuando, onde vais corpo, onde vais mente? Sinto a brisa, sinto a caricia suavemente, Liberdade, voando pelos campos, pelo ar É cheiro a flores, cheiro a arvores, cheiro a mar
Suave é esta brisa, suave é este movimento, Não peço mais, só quero este sentimento Leva-me suavidade, leva-me liberdade,
De quem é esta força de onde vem? de mim? Ao parar não sei se é o início ou o fim. Perdi-me, mas que importa saber um caminho? Não quero o certo, não quero um destino
861
Eu escrevi
Eu escrevi, escrevi e chorei com pena de mim
Com dor de não alcançar esse brilho infinito
De ver e sentir as coisas belas e não saber descrevê-las
com as asas e as lagrimas dum poeta bem-sucedido
468
Texto : Arte
A arte só acontece quando alcança alguém, quando alguém a vê, a ouve, a sente , quando alguém a ela reage, quando alguém a interpreta. Sem reações e sem interpretações nem é arte , nem há artista.
E todas as reações e interpretações teem sempre razão, são elas que qualificam a obra. Do mais ignorante ao mais sábio todo o intérprete é igualmente valioso e é por ele que a arte existe.
A obra e o artista nascem e renascem em cada membro de seu público. E o artista cresce a cada reação e quanto mais humildade houver no artista, mais ele cresce, maior ele é.
É de honestidade que é feita a arte, é artista o artista que se despe, que fica cru e se oferece. O artista descobre feridas e mexe nelas e põe lhes álcool e volta a mexer.
Na arte há coragem, há sonho, há suor, sangue, paixão, raiva e amor. como há no artista e há no público e juntos criam a magia. Os momentos felizes acontecem quando as duas partes se entendem. Entendem-se às vezes desentendendo-se, entendem se às vezes na paixão da discórdia, na discussão infinita.
776
Os desencontrados
Queria que fosse verdade durante um instante, Que não houvesse consequências E que só eu me lembrasse, Do cheiro, do riso e das caricias.
Ventos que travam o folgo, Folgo que amanhece á tua chegada, Folhas de árvores que passam no meu rosto, Coração que se apressa pela estrada.
Nossos corpos e mentes seriam verdes de experiência, seria outro eu, seria outro tu, Seria noutra vida, noutra época ou galáxia, Diria que foi a memoria que inventou.
Ouvir e responder com um copo de vinho tinto, ás tuas palavras que me fazem rir, parar no teu olhar e no silêncio imaginar o que nunca vai existir.
510
Esperança no pincel
Pincel pinta, pinta no papel Papel branco pronto a nascer Pincel pinta, pinta o sonho Para dele eu não me esquecer.
Pincel pinta, pinta e dança Faz-me ganhar cor e ganhar vida Traz ao mundo mais esperança Traz festa alegre e colorida.
Pinta rios, serras, arvores e flores Que nelas viajarei todos os dias Vou-lhes saborear os divinos sabores Que guardo nas minhas memorias mais antigas.
580
Sede
Sede, sede de água, sede de vida, sede de álcool e uma sede atrevida. O sol está quente, está tudo parado, há falta de entretimento É querer fazer coisas e coisa nenhuma ao mesmo tempo.
Não receber um sorriso em troca, não responder á porta que toca. Umas vezes não entendo a dor alheia, outras esqueço a minha própria.
Todos os dias já não sei o que cozinhar, não sei o que vestir, estou a engordar. Vou correr, vou andar estou cansada, já desmotivada Há dias em que vem inspiração e fico cheia de garra.
Ainda não consegui abrir o livro que me chama há varias semanas na cabeceira da cama Saudade dos filhos, saudade doutros lugares saudade de mim
533
Sonhar
Todos os dias me bate o sonho á porta E eu no sofá me deito Cintilantes as gotas dançam no telhado Eu oiço e espreito
A aventura ficou na mala do carro E o verso já está feito.
Quando me agarras coragem, Para eu fugir a correr por aí? Não levarei bagagem, Ninguém saberá que saí.
Não haverá saudade nem falta É apenas o sonho que não me larga Não tenho nada, leve vou a fugir Chove, vou descalça e molhada a sorrir
591
Mar Meu
Minha deliciosa manta turquesa infinita que se envolve com o céu, em movimento constante e poderoso bates contra as rochas e areias, levas barcos e navios e se quiseres até aldeias inteiras mas tudo o que levas também devolves que tu não queres o que não é teu.
Ás vezes embalas-me e fazes de mim uma criança a adormecer, Fico admirando a tua voz, a tua cor e teu cheiro temperado, Que entra no meu suspiro, porque por mim és tão amado e então meu corpo em ti mergulha, apreciando e temendo o teu poder.
Mar meu, hoje somos um só, hoje eu só tenho vontade e não tenho medo Meus lábios saboreiam o teu sal, meus cabelos estão cheios de ti Entramos numa sintonia de agua e corpo gozando por cima o sol que se ri No reboliço das tuas ondas dançantes, apaixonada eu me atrevo
E assim nesta coragem de hoje eu te descubro e me entrego Feliz lentamente em ti me deito e olho o céu a baloiçar puxas-me e atiras-me uma onda maior, queres me assustar mas hoje não, hoje somos um só e eu não tenho medo
699
Não saber amar
O que faz falta é comer porcaria Não ter voz e ser cego e doente Faz falta ir atras da romaria E não usar a mente
O que faz falta é dar chinelada na criançada E á criança que está indignada chamar de bruxa e crucificar sim é o que faz falta é não pensar!
O que faz falta é ser como a cadeira Como o prédio ou a torneira. Não somos árvores, nem pássaros, nem mar Pois claro, como se nem sabemos amar
657
RIO
O rio passa, o rio corre, O rio ri-se ás gargalhadas e foge, Ele é de todas as cores e é tão brilhante, É esguio, é torneado e é elegante.
O rio dança e canta com alegria, sempre repleto de energia, em festa exibindo sua beleza, vigor, movimento, força e delicadeza.
Ele nasce lá na serra para vir mergulhar no mar, Esse mesmo que das minhas mãos escorrega, e que deliciosamente meus pés beija. Eu amo esse rio que oiço passar.