Tambor
Levado pelas águas de um riacho,
um seixo foi rolando serra abaixo
e quanto mais rolava, mais polia
a sua superfície lisa e fria.
Cristal, rico em rutilos cintilantes,
um dia se enroscou, não foi adiante,
e ali perdido em meio a tantas pedras,
quedou-se a meditar em suas quedas.
E havia no riacho quem olhasse
o seixo e reparasse em suas faces,
na forma de aparência estranha e rara.
Porém novo destino se escancara,
depois de ser colhido numa enchente
que o pôs em movimento novamente.
Nilza Azzi
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