Ressaca
Quando a saudade bate à minha porta
e os dias decrescentes, outonais,
são sucessivamente desiguais,
nenhuma distração me reconforta.
Indiscutivelmente não sei mais
porque já nesta vida pouco importa
se a linha do destino é reta ou torta;
viver na desventura é não ter paz.
As aves silenciam bem mais cedo
e mesmo quem, do escuro, não tem medo,
vacila quando o sol declina e some.
Se, à dor desse vazio, falta um nome,
o sentimento agudo que me ataca
semelha os vagalhões de uma ressaca.
Nilza Azzi
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Foi minha, hoje é tua ! - 27/07/2026
Toda a minha poesia,
Que foi minha, hoje é tua,
É momento de alegria
Saber que anda na rua.
…
Armando A. C. Garcia
Naturalmente ! - 28/07/2026
Quebrarei o tédio do cotidiano
Ouvindo o silêncio das palavras
No ritmo da vida, qual cigano
Naturalment…
Armando A. C. Garcia
Quedo-me penseroso ! - 29/07/2026
No silêncio quedo-me penseroso
Avaliando se tal se pode aferir,
O louco amor rutilante misterioso,
Que espre…
Armando A. C. Garcia
Sob as ondas da vida ! - 31/07/2026
Na aspérrima estrada da vida
Tortuosa onde brada o pavor,
E estrondeia a ira incontida
Em inúteis furores de s…
Armando A. C. Garcia