Ressaca
Quando a saudade bate à minha porta
e os dias decrescentes, outonais,
são sucessivamente desiguais,
nenhuma distração me reconforta.
Indiscutivelmente não sei mais
porque já nesta vida pouco importa
se a linha do destino é reta ou torta;
viver na desventura é não ter paz.
As aves silenciam bem mais cedo
e mesmo quem, do escuro, não tem medo,
vacila quando o sol declina e some.
Se, à dor desse vazio, falta um nome,
o sentimento agudo que me ataca
semelha os vagalhões de uma ressaca.
Nilza Azzi
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