Simulação
Falar de amor, sem estar apaixonada;
de dor atroz, quando a vida me sorri...
Buscar certezas nos verbos de outra estrada;
ter sonhos maus, acordar feito um zumbi!
Viver os dias, saber que a alvorada
conduz à noite, ao crepúsculo rubi
e ao esvair-se, a visão atordoada,
reconhecer ter falhado... Não previ
que o meu fingir era falso. Ter assim,
a dor maior, esse espanto permanente,
sem compreender a razão de ser poeta...
E a uma só vez, nessa força que me afeta
tornar vazios os momentos do presente,
fazer chorar pelo amor longe de mim.
Nilza Azzi
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