SOLILÓQUIOS [MANOEL SERRÃO]
Hão-nos de medir a semeadura, E hão-nos de contar os passos.
Hão-nos de quebrar os sigilos,
E hão-nos de cegar os póstumos.
Hão-nos de afogar os ambíguos,
E hão-nos de matar os dormidos.
Hão-nos de arrancar os feridos,
E hão-nos de torturar os espertos.
Eis-nos aqui zumbis perdidos quase mortos adormidos.
Eis-nos aqui zumbis soídos aprendendo a morre para o que somos.
Ora nos porão presa inerme na lama fétida do berço.
Outras nos porão sem o verbo Ser conjugado na escuridão dos becos.
E assim, assediados por todas as vertigens do inumano, vencidos?
Nos porão sem o desejo todo o castigo, e aos mais de exemplo, a solidão do desterro.
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