18072017

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n. 1964 PT PT

n. 1964-02-23

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Ferido de morte



Ferido de morte

Estava um calor escaldante!
Portugal, um velho senhor de barba comprida e pelos espalhados no corpo,
fora deixado sozinho...

... os seus cuidadores agora tinham outras profissões.

Sentiu um ardor na zona da cintura!
Fora uma ponta de cigarro?
Gasolina que derramaram sobre si?
Um fósforo que lhe chegaram?
Uma bomba?

Não viu nada.
Deu-lhe uma tosse seca, um arrepio, uma febre alta
que de imediato lhe consumiu a pele ali na zona da cintura, no Pedrógão.

Queria chorar mas as lágrimas não caíam,
não havia água que apagasse aquele fogo.
Sentia um frenesim à sua volta, os seus pelos caíam, a sua pele derretia,
a febre subia, subia ...

Não conseguia ver,
não conseguia respirar,
não conseguia mexer-se,
estava ferido de morte.


Leonor Medina (07/2017)




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Poemas

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Ferido de morte



Ferido de morte

Estava um calor escaldante!
Portugal, um velho senhor de barba comprida e pelos espalhados no corpo,
fora deixado sozinho...

... os seus cuidadores agora tinham outras profissões.

Sentiu um ardor na zona da cintura!
Fora uma ponta de cigarro?
Gasolina que derramaram sobre si?
Um fósforo que lhe chegaram?
Uma bomba?

Não viu nada.
Deu-lhe uma tosse seca, um arrepio, uma febre alta
que de imediato lhe consumiu a pele ali na zona da cintura, no Pedrógão.

Queria chorar mas as lágrimas não caíam,
não havia água que apagasse aquele fogo.
Sentia um frenesim à sua volta, os seus pelos caíam, a sua pele derretia,
a febre subia, subia ...

Não conseguia ver,
não conseguia respirar,
não conseguia mexer-se,
estava ferido de morte.


Leonor Medina (07/2017)




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