Lista de Poemas
Voto
Quando criança,
fiz um voto de amar-te até a morte.
Ser para ti meiga, doce e obediente.
Nem por demais inteligente,
Nem por muito ignorante.
Pôr mel em minha voz,
ouvir atentamente tuas palavras sábias
e também as não tão sábias assim.
Ver bondade em cada gesto teu para comigo,
ver tenacidade no que alguns (ou muitos) chamariam de teimosia.
Seria o vento embaixo de tuas asas,
tua consorte, teu amor, tua amiga,
tão delicada quanto um botão de flôr.
A minha segurança, a minha vida e os meus sentimentos
Só a ti pertenceriam.
Quando criança fiz um voto,
de amar-te até a morte.
Nunca te pediria muito,
me satisfaria com as migalhas de atenção que pudesses me dar.
Não haveria para mim tesouro maior que o teu coração.
Cumpri meu voto,
A criança em mim te amou,
tanto ou mais quanto disse que faria.
Amou-te até o dia em que morreu,
Amou-te até quando você a matou em mim.
O desamor pela vida
Mas E quando, por um cansaço profundo d’alma, escolhemos desistir do amor? De tudo que nos prende a essa existência tão medíocre? Estamos doentes? Ou apenas cansados de uma luta sem fim, escolhendo a rendição honrosa? Deixando-nos ser derrotados com plena convicção de que nada é pior do que continuar a luta eterna, o massacre contínuo de nossas almas. Algumas vezes o amor não é o bastante, A brisa refresca, mas não suaviza a alma queimada e surrada. A água lava, mas não cura as feridas - não some com as cicatrizes. O sol ilumina mas não consegue aquecer o frio perpétuo de uma alma solitária. Igualmente a isso, o amor conforta mas não preenche o vazio. Quando o amor não é o suficiente, a esperança é vã. Doente e triste pássaro que não encontra mais prazer em voar, O horizonte não lhe é mais tentador, o vento não lhe sussurra convites como dantes, ou talvez nunca sussurrou, talvez e só talvez o pobre pássaro encontrasse consolo na ilusão de uma canção composta pelo vento. No sol a aquecer suas penas, nas nuvens se dissipando frente sua vista. Achando que havia sentido, que não era apenas uma brincadeira perversa do destino o tal pássaro poder voar, mas jamais poder viver no ar. Um ser dividido, com vislumbres de liberdade. Somos todos como aquele pássaro, a diferença é que poucos percebem isso e outros tantos não se importam.
O sentido do perdão
Faria sentido te perdoar,
Faria sentido amar-te outra vez
E esperar com coragem um amor não vivido.
Para mim tudo isso faria sentido.
Faria sentido perdoar tuas imperfeições,
Faria sentido perdoar a hipocrisia e covardia sob a qual te escondes.
E ser tua companheira de ideias e críticas sinceras.
Para mim, mesmo tudo isso, faria sentido.
Faria sentido também esperar saber que estavas bem,
Faria sentido ser colocada em terceiro ou quarto lugar,
Ser menos importante que um amigo,
mas mais importante que um colega.
Tudo,tudo - tudo - se perdoa,
se ao menos importar-se-ia de me pedir perdão.
Então esse é o desfecho,
se nada fez sentido para o seu egocentrado mundo,
o fim também não o fará.
Mas não é por você que lhe perdoo, meu caro.
Perdôo-lhe por mim.
Por achar que fazíamos sentido,
por me decepcionar e cair.
Perdôo-lhe porque este perdão não vai fazer bem a tua alma,
mas vai curar o veneno da minha.
A mim resta o luto,
perdi meu mentor, meu amigo e minha paixão.
E chorei lágrimas de sangue,
mas só sobrarão cicatrizes e aprendizado.
Rejeição
Amor.
Palavra gasta,
já perdeu cor, forma e significado – diriam alguns.
Amor esse que rejeitastes,
amor este que te fez rir,
amor que me roubou noites de sono,
pequenas alegrias,
saborosas lembranças.
Antes de amar-te,
eu nada mais era do que um todo esperando um igual,
antes de sonhar com teus braços,
não havia essa angústia de não tê-los.
Agora sou pó,
pó e vazio,
tudo o que sou vem de ti,
cada palavra foi esculpida e moldada nos meus lábios por que meu amor quis assim.
E, no entanto, foi sem palavras que me deixastes,
levastes o verão e a primavera da minha vida,
com os sinos do teu riso arrancastes cada flor que plantei em teu nome.
Dos destroços do meu coração,
fizestes um samba,
armaste um enredo,
dançastes um bamba.
Agora que essa parte da minha alma subjugada levaste embora,
ficou-me o pó do que poderia ter sido,
os planos do que poderia ter te dado,
apenas eu, meu caro, ninguém mais.
Amor.
Palavra tão gasta,
agora meu coração entende por que.
Dê-se pouco há muitos,
mas guarde para si a maior parte de si mesma.
Desespero do amor
Amor que cresce e engana,
Coração que se abre como um leque frente a um inimigo invencível,
inominável, imaculável.
Sombras cor de rosa e de desejo,
sabor doce de perdição, rendição, maldição...
Manjar de veneno que se faz em meu peito,
quem eu era antes de me assolares e fazeres de mim um ser amante?
Não sei, não me lembro.
Inócua névoa, brilhante em seu romantismo,
que carrega meu amor pelo amante,
traz de volta meu orgulho,
devolve-me o sabor da vida pelos meus olhos
e não pelos olhos de quem amo.
Faz-me amar-me ao menos um pouco, para que eu não esqueça de mim, do meu gosto.
Traz-me, ó vida, o desejo de pertencer-me a mim e a mim só.
Para que apenas de mim dependa minha felicidade,
para que seja eu - meu refúgio.
Pois dói e como dói, amar tão tenazmente,
amor que depende de um outro para ser feliz,
amor volúvel que ao mesmo em que colore minha alma,
amaldiçoa meu sangue.
O sonho de um som
Essa é a música que meu coração cantaria se pudesse cantar.
Esse é o tom do meu choro,
a melodia dos meus soluços,
O som agridoce das minhas lágrimas a quase cair.
O fio triste de um violino de dor,
A ave-maria suave e maçante dos sinos,
O ronco grave do violão...
A voz rasgada,
O coral puído da escuridão da mágoa.
Se a música em mim vivesse,
um pouco antes do fim,
Far-lhe-ia a mais cortante canção.
Adeus.
Adeus.
Adeus culpa,
Adeus tristeza.
Adeus
Adeus.
Adeus amor,
Adeus nobreza.
Para Deus eu te dou!
A mim resta o silêncio,
Perdoe-me o egoísmo mudo,
mas apenas com ele me vou.
Pois não há música em mim, afinal.
Adeus.
Adeus.
A Deus!
Desejo
O coração reclama do que não viveu,
A mente grita que o sofrimento é desnecessário,
as mãos pedem para tocar, ser tocadas,
acariciar e sentir.
A respiração quer perder o fôlego,
a boca quer ser mordida, sugada, lambida, implorada...
Os meus olhos já me imploraram pra ser monomaníacos
e meus ouvidos desejam teus gemidos.
Meus seios necessitam das tuas mãos, tuas carícias, teus beliscões,
minha voz quer gritar teu nome,
meu corpo carece do teu suor, do teu peso,
minhas unhas clamam arranhar tuas costas, te puxar pra mais perto
a rosa aveludada quer ser cheirada, colhida, chupada.
meus pés querem o calor dos teus,
minha cabeça decidiu-se no teu peito aconchegar ,
minha risada deseja unir-se a vibração da tua
e minha alma quer a plenitude que apenas a tua pode dar
Mais uma vez
Outro espinho sangrento,
outra lágrima num turbilhão de chuva,
outra canção cantada em meio aos corvos,
outro coração ferido em plena guerra.
Silencioso grito que irrompe em palavras,
mesquinha solidão apunhalou o amor outra veze outra vez e outra vez.
Que dor profunda e tugida,
ascendente e crescente,
como num riso desvairado de um labirinto cinzento.
Uma melodia confusa,
um sopro de puro ar de esgoto.
E se repete e repete e repete..
uma e outra veze outra vez e outra vez,sem lado B.
Sem limites, sem saída, sem choro.Não mais.Estações
Como uma criança, perdida em meio à multidão procuro tua mão por segurança. Como um bebê, necessitado do que não pode satisfazer a si mesmo, cansado de tanto chorar, encontro teu colo e aconchego. Como uma donzela, dividida entre mundos - mulher ou criança - procuro tua arrogância em me dizer quem sou, tuas palavras doces e não menos vãs que me confortam as dúvidas. Como um amante, em seu momento de fulgor, procuro teus olhos antes da alegria maior, antes do suspiro de puro contentamento, entrelaço nossas mãos. Não somos dois, somos segurança, colo, arrogância e prazer. .
Imagem sem rosto
Somos todos e todo vazio, falta e ausência de luz.
cantos sombrios que o sol não aquece nem ilumina.
Almas frágeis cobertas de finas cicatrizes, amargas lembranças, pútridas feridas.
Somos todos vulneráveis e vendavais,
inconsoláveis em prantos e uno com nossa solidão.
Impossível viver em si mesmo,
impossível viver com o outro,
Impossível viver por ele.
Seres de tantas e tamanhas impossibilidades,
me tire de mim!
Não quero a ti!
onde estás, ó ser insensível e egoísta?
amargurado e hipócrita, escondido em um canto laico da mente.
Quem sois tu?
para que vieres?
tuas faltas matam-me um pouco a cada instante,
tua escuridão faz em mim esconder-se a luz!
- Sou a voz retumbante que não queres ouvir,
a dor que tentas calar mediante outras dores.
A visão que enche teus olhos de lágrimas!
Estou quebrado, triste, tão só.
não há nada pelo que continuar,
ninguém que tomará minhas dores,
então, te levarei junto comigo aonde estou -
para que desistas de estar por mim.
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