Lista de Poemas

Dor do adeus

Meu coração destroçado capota,

sinto falta da tua voz nas noites mais frias,
sinto saudades das birras e malcriações,
dos machismos e eufemismos.
Eu sinto a falta de você!

Às vezes quando fecho os olhos quase posso te sentir bem perto,
sorrindo e me amando,
brigando e acreditando em mim como ninguém mais.

Dói ter que deixar-te,
e pela dor e a covarde que acabei sendo,
saí sem dizer adeus!
Talvez se eu nunca disser essa palavra ela nunca se concretize
e eu nunca tenha que esquecê-lo!

Hoje aprendi que difícil não é ter que encontrar o amor,
difícil é ter que deixá-lo ir embora.
Sei que você nunca vai entender minhas razões,
mas mesmo assim sem razão nenhuma compreensível
te deixei!
Te deixei pela minha fraqueza,
Te deixei antes que possa te machucar de verdade,
pois não sou forte o suficiente pra viver esse amor!
Mas nunca pensei que doeria tanto assim ir embora.
Adeus, meu querido, meu amado.
Espero que encontres alguém que mereça tua grandeza e teu fardo!

262

Minha (Tua) sanidade

O brilho de teus olhos marejam os meus.
Tão dourado teu cabelo que desvio a vista.
Sinto falta do marfim da tua pele,
Absorvendo o luar.
Grito pela distância entre teus lábios,
Doces lábios, e os meus.

O café da minha cor está tão só,
Meus sentidos acostumaram-se a tua forma.
Te imploro: Não se vá, querida!
Não leve o sabor da tua boca!
Deixe-me o toque da tua pele!
Teu longo cabelo enrolado em minha mão.
Teu ouvido encostado ao meu coração.

Se deixar o meu amor sozinho
Ele comerá meu coração por dentro.
Os meus sonhos todos serão engolidos pelo pesadelo da solidão.
Ficarei rouco de tanto chamar-te de volta,
Derramarei lágrimas carmesins na tua porta,
Esmagarei minhas mãos batendo na tua casa,
Porei fogo em todas as tuas cartas.

Serei louco, maníaco, teu e sozinho.
Então não me deixa, esqueça vá embora.
Por mim, por você, pelo mundo a tua volta
Não leva minha sanidade contigo!
293

Para o mundo ouvir

E de que adiantaria te chamar de amor e o mundo não ouvir?
O sonho seria mais próximo?
As paredes louvariam minhas palavras?
Acreditariam no que ninguém acredita além de mim?


Se eu te chamasse de amor no escondido do meu coração,
Será que minh’alma se calaria?
O que assombra meu mundo,
estremece meus alicerces,
confunde minha mente
Veria a beleza do meu vão sacrifício e se encolheria em si mesmo/a?

Se eu te chamasse de amor em frente as flores,
solitárias e perdidas em seu próprio mundo de necessidade e sobrevivência.
Será que elas abençoariam tais palavras?
Suspirariam de contentamento?
Torceriam para que tão grande amor ultrapassasse a eternidade?

Te chamar de amor em frente ao mundo,
não tornaria nosso amor maior,
nem mesmo o encolheria,
mas o tornaria mais real.
344

Descrição da tristeza

A tristeza cala a alma,

esfria o sangue,
tange o amor
e engole a alegria.


A tristeza dói como chuva forte,
amarga como pó de café,
corta como prego enferrujado.


Tudo descolore,
nada muda.
Tão grande mundo, fica pequeno pros sonhos.
Tão pequeno mundo, fica alagado de distância
entre um amor e outro,
o fugaz e o para sempre.


A tristeza não consome,
ela acrescenta - dor e agonia.
Angústia e medo.
Alimentando-se de solidão,
crescendo e crescendo em tamanho e proporção.

Para a tristeza eu recomendo um tratamento:
Seja triste até deixar de ser!

756

Gemas avelãs

Eram avelãs.

Duas gemas perfeitas

avelãs e eleitas

que mexeram comigo,

me deliciaram,

me aliciaram,

me atiçaram ao perigo do abismo de teus olhos.


O cheiro viril do teu desejo,

as cores ásperas que teu toque me dá,

me erguem, me elevam, abalam meu quadrado mundo.


Caí da profundeza dos teus olhos

para a singeleza da tua boca,

o contorno perfeito que apenas o meu desejo colori,

viva, atraente, única.


Tão próxima de uma distância ainda maior.

Teu coração acelerado em minhas mãos,

meu pulso ritmado a tua batida.


Se teus olhos avelã me chamaram,

foi a doçura da tua alma que não me deixou ir embora.

O “não” tão próximo aos lábios,

o ‘sim’ reivindicou o coração.


Não deveria ser bom

e talvez não tenha sido,

Não deveria ser belo

e foi esplendoroso,

Não deveria ser verdadeiro,

mas os lagos translúcidos desmentem a ultima sentença.

Se precisavas daquele beijo,

O que acontece se eu necessitar de todos os outros?

285

A culpa


Meu peito dói,
Meu coração sangra,
Há lágrimas não derramadas em meus olhos.
Lágrimas de sangue, lágrimas de cansaço, lágrimas reprimidas e lançadas em forma de sorrisos vazios.


Carrego culpas demais, e mesmo assim,
Carrego menos culpas do que deveria carregar.
Minhas culpas,
Mea culpa,
Minha tão grande culpa.


Há quem me diga para deixar minhas pedras no caminho,
mas são minhas pedras, não são?
Quem sou eu sem elas?
Que são elas sem mim?


Eu e o meu mal, meu fel, meu veneno somos um só.
Sou toda um peso que carrego,
O grito preso na minha garganta
A angústia inominável de levar tanta falta, tanto desgosto, tanta causa.
Não sou ninguém que deveria ser,
Sou alguém que não deveria existir,
Culpada de resistir, de persistir, de errar, de magoar...


Deveria morrer ou viver sobrevivendo ?
O que é menos danoso pra si?
A culpa é só minha, eu sei.
Não me olhes!
Teus olhares me incomodam, me acusam, me contam coisas que eu já sei, que me envergonham...
Não sorrias pra mim!
Teus sorrisos ferem minhas mágoas, atiçam as lágrimas a rolar...

Por que dentro de mim já fui julgada e condenada,
sou o réu que espera ser punido e que sabe que não importa qual será a punição,
pois ela nunca será suficiente para arrancar os espinhos que trago em meu peito,
não apagará as culpas do meu coração.

285

Reis

Reis da luz e da ilusão,

da nuvem que avança despercebida,

do sol que brilha cegante,

do vento que esconde a brisa,

da árvore que se nutre sutilmente do mundo.


Reis das sombras e do abismo,

da maldade velada no escuro,

da guerra friamente travada na diplomacia,

do horror nos olhos desesperados dos desesperançados,

do ódio cultivado em fogo brando e que há muito promete discórdia.


Reis da arrogância e mediocridade humana,

da negligência e do descaso,

do potencial cruelmente jogado fora,

da vida desperdiçada por amantes que pouco se amam.

de tudo o que deixou de ser o suficiente,

do caro que nos custou o desmantelo do verde em prol das pedras.


Ó Reinados infames que assombram as bravídias tentativas de tomar o teu, o meu e o nosso nas

mãos.

O ódio de culpar-te tornou-se tentador e, mesmo assim, a responsabilidade de culpar-me tornou-se

necessária.

Hilariantes reis, decadentes e inexatos.


Um brinde, então meus caros,

a ilusão,

ao abismo,

a humanidade e ao descaso.

E mais um brinde à saúde dos proclamados...

Os reis dentro de nossa humanidade

que buscam frestas em meio aos telhados.

338

Pedaços da alma

Não há casa aqui.
A vida se foi, se é que existiu.
Não há amor aqui.Apenas um ódio frio.
Há uma mágoa profunda no meu peito,que eu não consigo nem quero curar mais.
Sinto minha alma fragmentada em incontáveis estilhaços,
talvez de uma bala perdida,
talvez de uma flecha encontrada.
Eu me vejo tentando inutilmente dar ordem aos cacos,
vejo uma lágrima escorrer de um olho solitário.
Então, em um gesto de ousadia ou, quem sabe, tolice
Resolvo abraçar o caos do meu espírito
e dou boas-vindas as partes quebradas de mim.
ofertando-lhes a aceitação que o mundo nunca será capaz de dar.
358

Jardim de amor

Um coração aquecido,
Um ponto brilhante na fosca linha do tempo.
Amor verdadeiro,
Amor tímido,
Amor sagrado.

Amor real que nada pede

e o mundo inteiro dá.
Como uma pequena flor a brotar no deserto,
trouxe consigo todo um óasis.

És belo, ó amado
És sublime, ó amor.
Perfeito, flagrante e nobre.

Amor de sangue puro,
amor regado de uma felicidade eterna,
fertilizado pelos momentos de alegria,
podado pelas tristezas mais cruas.
Assim é o amor.
Assim é o sentimento que chamamos de paz.

332

Promessas que se vão

Nunca pensei em te deixar

Nunca pensei ser eu a causa da tua dor.


Prometi lutar por teu sorriso,

Prometi te dar o meu mais sublime amor.


Perdoe amada minha,

Perdoe minha fraqueza,

Perdoe minha falta de honra,

Perdoe-me a dor incessante da tua alma.

Agora entendo que promessa vã,

não é promessa alguma.


Fiquei a encarar a pedra no meio do caminho por muito tempo,

Vendo alguns pularem sobre ela com a beleza de uma garça,

vendo outros tropeçarem e se levantarem logo em seguida

E, finalmente vendo aqueles que não levantaram.


E eu apenas observei,

observei até que descobri que para mim aquele caminho não era importante.

Até que descobri que não queria saltar ou tropeçar.

Eu só malditamente queria pegar a bendita pedra e bater na minha cabeça com ela.

Fim.

Sem mais caminhos, obstáculos e sem mais me odiar por estar em um lugar que não

queria.


Ainda sim, querida minha, não espero que entenda minha decisão.

No entanto quando tomar a sua própria

espero que o caminho te leve a mim de alguma forma.

Porque o amor é um grande ciclo e no fim do seu caminho nos reencontraremos!

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