A poesia de JRUnder

A poesia de JRUnder

n. 1950 BR BR

Natural de São Paulo.Nascido a 07 de março de 1950.A poesia não é um potro selvagem que possa ser laçado e domado. Poesia é alma. Alma de passarinho.

n. 1950-03-07, São Paulo

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Alquimia do tempo


Mornas eram as tardes em que te amava,
Entre cálidos beijos com sabor de verão.
As brisas leves ao passar anunciavam
Esse tempo, marco maior da nossa paixão.

Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar?
Segundos correndo atrás de segundos...
Não sabem dos amores que como o tempo,
Transformam os corpos amantes em vultos?

Restou somente em nossas memórias,
Um sonho que poderia ser eterno...
E como doce lembrança, sobrevive,
Ao gélido sopro do amor no inverno.
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Biografia
Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.

Poemas

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Essa pequenez.


E por vezes, acontece...
Estarmos em um lugar ermo, isolados do mundo.
Nada ou ninguém à nossa volta.
E não nos sentirmos sós.
Porque sabemos que existe quem se importe,
Quem se incomode, quem sinta saudades.
Existe um abraço à espera do nosso retorno.

E diferente quando por vezes, estamos rodeados de pessoas,
Mas nos sentimos sós.
Sós nos pensamentos, sós nos objetivos, sós no jeito de ser.
Estamos isolados daquilo que realmente interessa às pessoas.
Essa é a verdadeira solidão.

Quando você é uma obrigação, um compromisso.
Quando você pode ser deixado para depois...
Quando você por vezes, incomoda, não faz diferença.
Quando você não merece a atenção que poderia jurar merecer...

E dói muito essa pequenez, mesmo que não seja um abandono.
Dói muito sentir, que você passou...
Talvez um dia, você seja uma saudade. Talvez...
Talvez seja lembrado por algo que disse, de bom ou ruim.
Nesse dia? Será que isso vai realmente importar?
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Acontece...


E o amor acaba, assim ...

Vai se tornando pequenino, até caber dentro de um adeus.
E transforma em nada, tantos sonhos que eram tão nossos,
Tantas promessas, tantos planos, tantas ilusões.

E nossas mãos que abraçaram, apenas acenam.
Nossos olhos que brilhavam, deixam cair lágrimas incontroláveis,
Nossas bocas que beijaram, sussurram baixinho... Não vá!

E o adeus que acontece, nos faz imaginar que será apenas um: Até breve!
Um até logo, um até qualquer dia desses...
Até que o tempo venha nos ensinar o significado do eternamente.

E uma vida é tempo demais para esperar e muito pouco para esquecer...
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Prosa


Junto ao rio, que serpenteia
Um pássaro ainda gorjeia,
Embora não possa voar...
Vê o tempo, passando qual nuvens,
Que escondem o sol, que maroto,
Finge que não quer brilhar.

Ah! Vida, que essa vida leva!
Me leve pra outro lugar...
Quero ver as águas do rio,
Quando se perdem no mar.

Junto à árvore frondosa,
Uma morena formosa,
Vai ver o tempo passar.
Toma emprestado ao sol,
O bronze que doura sua pele,
O brilho que encanta o olhar.

Ah! vida que esta vida leva!
Me leve ao fundo do mar...
Quero ver as águas do rio,
Vivendo em outro lugar.
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Parto.

Nasceu de um raio de luz!
Foi um relance, um momento...
Se houve dor, sofrimento,
Não saberei responder.

Veio assim, tão de repente,
De forma quase inconsciente.
Tomou forma, criou corpo,
Carregava em seu escopo,
Muitas razões e porquês.

Trazia um recado. Um tema!
E na forma de um poema,
Disse em versos e rimas,
Tudo o que tinha a dizer.

Talvez tenha sido entendido,
Talvez sequer sido lido...
Mas ao poeta só cabe,
Sua alma transparecer
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Plantio


É...o tempo chegou...
Como passou depressa!
Terra tombada e adubada...
E o que foi que vc plantou?

Plantou desconfianças,
Desavenças, diferenças,
Plantou tristeza e dor.
Sufocou tanto a semente,
Que não deixou germinar,
A flor perene do amor.

Se hoje em seu jardim, brotam mágoas,
Você mesmo quem as plantou.
Plantou mentiras, descasos...
Desprezo você plantou.

Pensando só em você,
Plantou até traição...
Envenenou o jardim,
Matou a flor da paixão...

Hoje colhe indiferença.
E nada se pode fazer.
O tempo de plantar, passou.
Tempo agora, de colher.
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Divã


Olhar perdido no nada, apenas poeira no ar.
Retas e curvas da estrada, tudo ficou para trás...
Ontem parece distante, tanto quanto o amanhã,
Não se define o horizonte. É luz que se deita ao divã.

Pensamentos se avolumam, embaraçam-se na mente,
A dor é exclusividade. Pertence a quem a sente.

Só resta mesmo o caminho, que se cumpre a seguir.
Não se sabe do destino, de quem não tem pra onde ir.
A linha demarca a chegada. Apenas questão de sorte...
Alguns encerram a vida. Outros encontram a morte.
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Dá-me


Dai a mim, o que me pertencer.
Se for rancor, ceda-me um pouco do seu perdão.
Se mágoa for, ensina-me a ser melhor.
Dê-me o desprezo, se assim o merecer.

Sou hoje o que consegui ser,
Aprendi o que pude absorver da vida,
Tentei quantas vezes pude e  precisei,
Demorei talvez demais para entender.

Dai a mim, o que me for de direito.
A paz, mesmo que seja em sua oração,
A luz, que me guie nesta escuridão,
O amor, que busquei em cada ilusão...
 
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Mea culpa.



E por amar, me declaro,
Culpado! Senhores do júri...
Não sei se por força ou fraqueza,
Esse ato, cometi...
Disso, tenham certeza.

Embora não houvesse o dolo,
A culpa toda me cabe.
Não entra no mundo do amor,
Aquele que do amor sabe.

Deixe-me levar, eu confesso,
Pelo brilho de um olhar.
Deixei-me seduzir,
Por um jeito de falar.

Fui então me envolvendo,
E não tive nenhum cuidado.
Quando pude perceber,
Já estava enamorado.

Criei mil fantasias,
E um mundo de ilusão.
Não vi, o quanto sofria,
O meu pobre coração.

Se hoje ele me culpa,
O faz, com toda a razão.
Castiguei-o sem piedade,
Com o açoite da paixão.

Curvo-me agora à justiça,
Sequer peço piedade.
Pagarei pelo meu erro,
No cárcere de uma saudade.
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Entrelinhas

Quantas palavras cabem
nas entrelinhas das mensagens?
Quantas revelações elas carregam?

Entrelinhas, sempre falam
mais, até do que imagens.
Dizendo o que as palavras,
Por muitas vezes negam.
 
Ódio, desprezo, mas também, amor...
É preciso prestar bastante atenção.
Palavras ditas em um momento de calor,
Não são as ditadas pelo coração.
 
Aprenda a ler nas entrelinhas.
Pare! Reflita! Reveja com calma.
Lá estarão as verdades,
gravadas na essência da alma.
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Evolução

 
E as palavras desciam pelas íngremes ladeiras da literatura, como fossem águas advindas de um temporal. Eram verdadeiras torrentes violentas, desprendidas...
Arrastavam impetuosamente qualquer resquício de cultura que encontrassem pela frente!
Eram milhares que se misturavam sem significado algum, mas traziam em si o poder das multidões. O ruído que provocavam era avassalador!
 
Ah! O poder das palavras... Nunca o subestime...
 
Mesmo as palavras mais desconexas podem eliminar as razões mais sólidas.
Das bocas que falam; dos sons que emitem; dos bancos que ocupam; dos espaços que tomam.
 
E os corações se fecharam, por não conseguirem digeri-las.
E as paixões se aquietaram, sem compreendê-las...
E os amores se banalizaram pela superficialidade de seus conteúdos.
 
Das nascentes contaminadas formam-se rios poluídos pela ignorância secular.
O pensamento não para, o entendimento não chega, os valores se acovardam.
Quando não existe a sabedoria, julga-se pela ausência. E nasce a sentença:
 - Que se açoitem os desiguais!
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Comentários (21)

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Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.