Mornas eram as tardes em que te amava, Entre cálidos beijos com sabor de verão. As brisas leves ao passar anunciavam Esse tempo, marco maior da nossa paixão.
Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar? Segundos correndo atrás de segundos... Não sabem dos amores que como o tempo, Transformam os corpos amantes em vultos?
Restou somente em nossas memórias, Um sonho que poderia ser eterno... E como doce lembrança, sobrevive, Ao gélido sopro do amor no inverno.
Quero saber do amor, traduza-o por favor, preciso muito entender... Explique nossos sentimentos, quando em tantos momentos em que juntos estamos, simplesmente nos fitamos, sabendo do nosso querer...
Conte-me dos segredos, quando percebemos que os medos, que sentimos são tão iguais. Ou quando nos abraçamos e nos tornamos só um... É nesse compasso em que o tempo, nos une em um sentimento, único, puro, incomum...
Quero saber da paixão, explique ao meu coração, o que ele deve fazer... Quando bate ligeiro e parece que o mundo inteiro, irá ouvi-lo bater. Quando sinto a sua presença, logo depois que a sua ausência, por minutos me fez sofrer.
Quando ao lhe beijar, sinto faltar-me o ar, sinto meu corpo tremer... Ou em seus braços inspiro e me refaço de um longo suspiro, que essa paz me faz desprender. Minha razão adormece e por instantes esquece o mundo que existe lá fora. E vivo esse delírio, de que o amanhã não existe e a vida acontece, agora...
1 639
Por que amo
Não perguntes por que amo... Não saberei responder. A bruma que envolve a paixão Não deixa enxergar a razão E amar tornou-se somente, Tudo o que eu saiba fazer.
Não queira saber quanto amo... Não tenho limites pra amar. Amo com toda a emoção, Que possa e que meu coração, Consiga enfim, suportar.
Não sei até quando amarei... Tenho muito de mim para dar. Não sinto em nenhum momento, A falta de um só sentimento, Que faça esse amor acabar.
Não procures compreender... Eu não consigo explicar. Só sei dedicar minha vida, A essa loucura infinita, Que é o meu jeito de amar.
382
Falando de amor.
Eram apenas poucos ramos, Cravejados de espinhos... Cresciam ao lado da estrada, E entristeciam o caminho.
Eram assim tão somente, Tidos como cercas-vivas. Dificultavam as entradas, Também impediam as saídas.
Ninguém se atreveria, Por eles tentar passar. Se tentassem, com certeza, Iriam se arranhar.
Por obra da natureza, Os ramos se encheram de flores, E enfeitaram o caminho Com uma aquarela de cores.
A vida ficou mais bonita, A estrada ficou tão formosa... Os ramos de muitos espinhos, Agora protegem as rosas...
Minha amada se fechava, Em uma casa de espinhos. Não me permitia entrar, Deixando-me assim tão sozinho.
Mas a mesma força divina, Que encheu o caminho de cor, Fez brotar no seu coração, A rosa vermelha do amor.
345
Poesia
Poesia é essência. É uma gôta d’água representando o oceano. Poesia é sutileza. É a palavra contando a história. Poesia é origem. É o esparzir de um ponto azul, formando todo um céu. Poesia é presença. É sentir a existência sem ver o entôrno. Poesia é luz. É o infinito forrado de estrelas. Poesia é amor. É o sintetizar de todas as emoções. Poesia é flor. O poeta tão somente a colhe.
1 734
Seu nome
Entalhei seu nome em uma pedra, Que as ondas do mar vêm beijar. E pensei que ali, para sempre, Gravado, iria ficar.
Fiz o mesmo em meu coração, Gravei seu nome bem fundo. Para nunca mais esquecer Por coisa nenhuma no mundo.
As águas bateram por anos, E a pedra não resistiu. Seu nome foi-se apagando Até que um dia, sumiu.
Mas cá no meu coração, Guardei com tanto cuidado, Que até hoje, perfeito... Seu nome se encontra gravado.
617
Não sei.
Pensei em fazer um poema, Que tivesse como tema A força de uma paixão. Que pudesse traduzir O que se pode sentir Lá dentro do coração.
Pensei escrever em versos, A grandeza do universo, Ou o perfume da flor. Talvez inventar palavras, Que por si explicariam O que realmente é o amor.
Pensei usar da verdade, Para falar da saudade Que deixou um alguém que partiu. Falar da solidão Que nasceu com a desilusão, Que nosso peito explodiu.
Pensei que em poucos momentos Pudesse explicar sentimentos, Mas vejo que me enganei. Posso senti-los, vivê-los, Mas descrevê-los, confesso... Eu realmente, não sei.
2 455
Negue
Negue teu descompasso, Quando pressentes meus passos, Indo em tua direção. Negue a disritmia, Que age como alquimia, E atinge o teu coração.
Negue o respirar, Que não alcança o ar, E deixa confesso o momento. Negue o calafrio, Teu corpo tremendo de frio, Contrariando o tempo.
Negue a vida que anima, Quando a paixão te domina, E faz de ti só desejos. Negue que como louca, Imaginas a minha boca, Saciando sua sede de beijos.
Negue o quanto quiser, Diga tudo o que puder Falar em seu favor. Mas nunca me irás convencer Por nada que venha a dizer, Que não me tens mais amor.
304
Abra suas asas
Abra suas asas... Voe! Deixe aqui o que será pó, Voe alto, atreva-se! É preciso que se sinta, A brisa no corpo, A chuva no rosto, A luz no olhar.
É preciso conhecer o que há, Por detrás das montanhas... Ver os cursos dos rios, E o esparzir das águas Quando se formam em cachoeiras.
É preciso conhecer a grandiosidade das matas, As copas das frondosas árvores seculares. É preciso conhecer a vida da fauna E as cores das flores quando chega a primavera.
É urgente sonhar... Porque a melhor parte da vida é feita de sonhos. E estes, estão perto das nuvens, Entre a realidade e a imaginação.
Abra suas asas... Voe! Antes que o tempo, possa atrofia-las...
1 211
Espelhos
Quando puder, apareça... Mas venha de alma aberta, quero conhecê-la. Saber o que realmente lhe importa, De onde veio e onde quer chegar. Saber o que pretende fazer, Enquanto por aqui ficar...
Quando puder, apareça... Para falar francamente. Sem meias palavras. Falar sobre o que se passou. O que enfim conseguiu guardar, Ou mesmo procurou entender, De tudo o que a vida, tentou lhe ensinar...
Quando puder, apareça... Quero ouvir suas verdades, sem segredos... Ouvir as batidas de seu coração, A cada palavra declarada. Ouvir a voz da sua razão E o silêncio da sua emoção.
Quando puder, apareça... Quero lhe dizer muitas coisas, necessárias. Para que você consiga refletir E seguir o destino que escolher. Venha sem medo. Ouça meu conselho. Olhe-me bem de frente... Eu sou, seu espelho!
5 613
Era uma vez... (texto)
Era um imenso salão, todo branco... Enormes lustres de cristal pendiam do teto, que parecia salpicado de estrelas azuis... Ao fundo, tocava uma orquestra... As músicas soavam como doces sussurros, e os únicos sentimentos que deixavam perceber, eram de absoluta paz interior. Casais rodopiavam pelo salão. Seus pés pareciam não tocarem no chão, como se flutuassem ao sabor divino da música, que invadia a alma como um elixir de absoluta pureza. Senti uma vontade enorme de dançar. Sim, precisava mergulhar naquele momento e me sentir parte do encantamento da noite, que formava a tela de fundo para ressaltar tanta luz, que emanava dos corações. Vi uma senhora que caminhava por entre os casais e convidei-a para dançar. Ela aceitou prontamente... E nos pusemos a rodar como se deslizássemos sobre o tempo. Ela conhecia a todos e foi falando de cada um. Passamos por um casal que irradiava muita alegria. Ele se chamava Sonho e ela, Esperança. Como combinavam bem... Seus passos eram perfeitos e pude sentir muita harmonia entre eles. Outro casal. Dançavam com a maestria dos bailarinos... ele era o Respeito e ela, a Felicidade (que sorria todo o tempo). Percebi como o Respeito fazia bem à Felicidade... Passou por nós, o Desejo. Seu par era a Realização. Desejo e Realização... Eram perfeitos! Que casal bonito! E muitos outros casais pude ver: A Paixão e o Encontro. O Abraço com a Vontade... Pude entender a necessidade dos sentimentos, encontrarem seus pares. A orquestra começou a tocar uma música inebriante... Senti a curiosidade de perguntar àquela senhora, qual o seu nome... Saudade, respondeu. E o seu, perguntou-me. -Eu? sussurrou... Eu sou... O Abandono.
Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.
Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.
Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.
Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.
Meu caro poeta... JRunder - teus versos são muitos reais , como você escreveu - o amor é doado - aceita-o quem o quiser. parabéns. Ademir.
Solidão, liberdade e companhia propria.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Lindos poemas. Com muito sentimento.
De oásis em oásis, sobrevive a poesia. Um achado!
Um tesouro.
Tem algum livro editado com estes poemas?
Bonitos poemas.
Dificil saber qual o mais bonito.
Excelente! Parabéns por tanto sentimento exposto em forma de poesias.
Poemas incríveis, de uma melancolia dosada, amei, parabéns!
Grande amigo, com certeza . Aprende muito com o poeta!
Obrigado Gildo. Estou lendo suas postagens também.
Agradeço. Mesmo!
Parceiro, Seu comentário foi uma injeção de animo, me fez sentir importante. Muito obrigado e volte sempre. Jaime