Mornas eram as tardes em que te amava, Entre cálidos beijos com sabor de verão. As brisas leves ao passar anunciavam Esse tempo, marco maior da nossa paixão.
Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar? Segundos correndo atrás de segundos... Não sabem dos amores que como o tempo, Transformam os corpos amantes em vultos?
Restou somente em nossas memórias, Um sonho que poderia ser eterno... E como doce lembrança, sobrevive, Ao gélido sopro do amor no inverno.
Nessa alquimia em que construo os meus sonhos E me proponho a ser feliz, ao lado seu. Em mil quimeras justifico meus apelos, Do céu de angustias, chovem desejos meus.
Levem-me anjos, ou destruam-me demônios, Só não me deixem nessa vida sem saber Se meu destino ainda está no seu destino Se meus caminhos ainda cruzam com os seus.
Sou mar aberto, sou a brisa, sou o vagar, De um veleiro, que não tem onde chegar. Sou peregrino, andarilho de ilusões, Sou viajante, carregado de emoções.
Folhas vazias e nos projetos de uma vida, Nenhuma letra se escreve do amanhã. Do ontem só se fala em despedida, Do hoje, só do raiar da manhã.
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E assim...
E sua mão tocou em minha mão e assim, seus olhos fitaram os meus olhos e o seu coração bateu em compasso com o meu. As estrelas rapidamente cintilaram no céu, e como em um passe de mágica, nossas vidas se iluminaram. No silêncio em que nos abraçamos, sussurravam ilusões, murmuravam sonhos. No calor dos nossos corpos aqueciam-se desejos, borbulhavam emoções. Em nossas mãos entrelaçadas, segurávamos promessas de paixão eterna. O infinito chegou mais perto. A lua veio ao nosso encontro, e protegeu nosso encantamento com seu manto emprenhado de sol. O tempo se aglomerava, sem passar, para perpetuar aquele momento e vagalumes carregados de luar, vieram para enfeitar nossa noite. As águas dos riachos pararam de correr, e seguiram lentas e atentas, para verem fluir nosso amor.
Eu e você, uma só vida. Você e eu, um só espaço. Nós dois e uma só história.
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Novas madrugadas virão
É madrugada. O frio corta a alma, como assim se costuma dizer. O inverno foi mais rigoroso este ano, muitos morreram pelo frio, nas calçadas. Morreram pelo frio que congelou seus corpos e pelo frio das relações humanas...
Não os conhecemos, não sabemos quem são. Não são sangue do nosso sangue. Não frequentam o nosso meio, Não se alimentam nas nossas mesas.
Não os vimos nos cursos que frequentamos, Não possuem os mesmo diplomas que temos. Não os encontramos nas lojas e supermercados. Não nos encontramos nas reuniões de condomínio.
Não ficamos em filas, não utilizamos transportes públicos. Temos gosto refinado para pratos e bebidas. Usamos talheres de prata maciça, sempre brilhantes. Nosso carro é "insufilmado" e blindado.
Vamos ao teatro, em shows reservamoss sempre camarotes. Gostamos da privacidade. Afinal, é nosso direito. Selecionamos pessoas em nosso círculo de conhecimento, Afinal, a vida é sempre um eterno negócio.
Vemos assustados nos noticiários, Reportagens sobre morte nas ruas, Pelo frio, pela fome, pela violência. Por que essas pessoas não procuram abrigo?
Já contribuímos para a compra de cobertores, Mas essas pessoas sequer tomam banho. Usam roupas sujas, não se cuidam. Deixam as doenças tomarem conta de seus corpos.
Isso é culpa da ignorância. Enquanto dedicávamos nosso tempo aos estudos, Eles iam a bares para se divertirem. Veja só no que deu.
Talvez iremos contribuir para a compra de alimentos. Afinal, o que custa uma sopa? Assim, não seremos culpados por nada. Vamos fazer o que considerarmos como sendo nossa parte...
Novas madrugadas virão. O frio cortará a alma, como assim se costuma dizer. O inverno será mais rigoroso nos próximos anos e muitos morrerão pelo frio, nas calçadas. Morrerão pelo frio que congelará seus corpos e pelo frio das relações humanas...
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Onde quer que eu esteja
Onde quer que eu esteja, para onde quer que eu vá. Não estarei distante de você, nem por um momento. Porque você não está apenas onde meus braços alcançam, Ou onde a minha visão possa perceber sua presença.
Você está em mim.
Está no meu frio e no meu calor, no meu riso e no meu cansaço. Está no dia que começa e no sol que desponta lá longe, Onde começa o infinito e onde qual sonhos de Ícaro, terminam as ambições. Está no meu passado, no meu presente estará no meu futuro.
Mesmo que ele não exista.
Está nos meus objetivos, nas minhas realizações, nas minhas lutas, Presente nas vitórias, conforto nos fracassos, confiante nos recomeços. Triste nas minhas partidas, feliz nos meus regressos, junto em minha presença. No abrir dos olhos em cada alvorada ao cerrar das pálpebras em cada madrugada.
Nos melhores e inesquecíveis sonhos.
Nas belezas que vejo, nos perfumes que aspiro, nos poemas que escrevo. Está no coração, na alma, nos sentidos e nos sentimentos mais nobres. Está nas lembranças, no respirar calmo, nas tardes douradas, nos céus de estrelas.
Onde quer que eu esteja. Para onde quer que eu vá.
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Vida a quatro
E dormimos assim, abraçados...
Quando despertamos desse sono profundo, percebemos que a Paixão tinha saído pela porta que ficara entreaberta e conosco, em nossa casa, morava agora o Amor. O Amor era educado e gentil. Falava pouco, mas fazia se sentir em cada gesto. Tratava-nos com respeito e era carinhoso. Estava sempre presente e procurava impor uma rotina em nossas vidas. Era organizado. Era muito diferente da Paixão, aquela maluca que virou nossas vidas de pernas para o ar! Quanto rimos, quanto brincamos e nos divertimos com ela. Lembro-me de quando saíamos, nós três... Eu você e a nossa Paixão. Que loucura! Tudo era bom, tudo era festa. A chuva molhava, mas não esfriava. O tempo passava, mas não envelhecia! Os dias eram longos e repletos de coisas a fazer!
E a vontade de ficarmos juntos então? Irresistível! Sinto saudades dela... a Paixão.
Vivemos em paz com o Amor. Ele nos une e faz parecermos um só. Ele nos protege, nos dá confiança, nos faz criar objetivos. Ele é muito importante em nossas vidas. Mas nossa casa precisa ser grande assim como nossos corações. Quero que a paixão volte e nunca mais nos deixe. Se vivendo a três somos felizes, a quatro poderemos atingir a perfeição...
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Pássaros de aço
Da energia do seu amor, me alimento. Sob a luz de seu luar, encontro minha paz.
Nas horas que passam... Nos dias que se seguem...
Só com seu amor, me completo. Só em sua presença me fortaleço.
Pássaros de aço cruzam os céus. Deixam marcas em suas trajetórias, como fossem lâminas a cortarem o azul. Como o pincel do artista a macular a tela virgem.
Lembram-me partidas, falam-me sobre ausências. Lembram-me distâncias...
Hoje sou frágil, hoje sou pequeno. Hoje sou escuridão, hoje sou espera.
Meu olhar se perde em um céu sem lua. Meu coração bate em um peito sem paz... Preciso de sua presença para renascer. Preciso de seu amor, para me reencontrar.
Os pássaros voam e sempre voltam aos ninhos. É o meu alento. Em um dia qualquer, uma nova pintura na tela irá trazer você. De volta para mim...
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Gulliver (suprapartidário)
Salvem o gigante! Ele precisa de ajuda, está doente. Salvem o gigante que não dorme, agoniza. Escrevam uma nova história ou cantem um novo hino, mas, que fale de sonhos verdadeiros e não de falsos oportunismos ou heroísmos.
Salvem nosso gigante! Ele sofre. Seu peito está exposto e a ferida queima como uma floresta. Gnomos sem a estatura da dignidade brincam de reis em seu colo. Não são mágicos, mas possuem poderes mesclados uns com outros, em uma teia opulenta sugada das entranhas dos insetos obesos, porém desnutridos de idealismo.
Salvem o gigante! As velas já são vistas nos castiçais que enfeitam a sorte, de quem segue na vida, de quem para na morte. A história dirá quem foi quem, neste ninho de abutres repletos de velhos ovos. Aqui estão os campos, as matas, os rios, o ouro e o grão que mata a fome.
Mas é preciso ousar.
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Açúcar no café.
De tanto açúcar no café, Perdi do café, o seu sabor. De tanto sofrer por amar Esqueci-me do por que, Ainda acredito no amor.
Talvez eu tenha substituído, O prazer, pela obstinação. Talvez o conceito de amor, Já tenha perdido a razão. Você é o meu costume, É o meu jeito de viver. Você é um vício que tenho, E que preciso perder.
Nós dois, e duas vidas, Buscando a felicidade. Nós dois e uma mentira, Alimento da mediocridade.
Separarmo-nos aqui, Talvez seja a solução. Repensar o sentimento... Levar paz ao coração.
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Devaneios
Esgueira-te de meus pensamentos sombrios, quando nas noites te cubro de desejos. E na corrente que te envolvo feita em beijos, alimento os teus lábios, antes vazios.
No teu delírio aprendo tua essência, passo a somar em mim a tua existência. Dois corpos que juntos se tornam como um só: Pedra mais pedra que partidas viram do mesmo pó.
Na tua espera afogo a ansiedade, por no teu corpo, me perder nesta vontade. Viver apenas o momento que se presta e não saber do tempo ou da eternidade.
Que se apague o sol e cesse este dia, mas me conceda uma noite de alforria e libertando os demônios que me afligem, com seu amor, tal qual chibata, me exorcizem.
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Até que passe.
Vou contar as batidas do velho carrilhão da sala de estar. Sei que depois de algum tempo, elas soarão como explosões em meus ouvidos, porque cada uma representará sua ausência.
Vou caminhar durante a noite, como se estivesse à procura. Não vou acender as luzes, para não constatar que será em vão. A cama ficará arrumada, apenas a olharei à distância.
Vou ligar a televisão, preciso ouvir vozes, quaisquer que sejam. Não me importará o que dizem, apenas precisarei ouvi-las... Vou abrir a geladeira mil vezes, e fecha-la sem em nada tocar.
Vou verificar se o telefone e a campainha da porta estão funcionando . Vou segurar aquela foto em minhas mãos, elas estarão trêmulas. Vou olhar meu rosto no espelho e ver que envelheço a cada minuto.
Serão assim todas as noites, por quanto tempo, não sei. Até que o sono me vença, até que o cansaço me aniquile, até que eu entenda, que foi melhor assim...
Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.
Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.
Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.
Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.
Meu caro poeta... JRunder - teus versos são muitos reais , como você escreveu - o amor é doado - aceita-o quem o quiser. parabéns. Ademir.
Solidão, liberdade e companhia propria.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Lindos poemas. Com muito sentimento.
De oásis em oásis, sobrevive a poesia. Um achado!
Um tesouro.
Tem algum livro editado com estes poemas?
Bonitos poemas.
Dificil saber qual o mais bonito.
Excelente! Parabéns por tanto sentimento exposto em forma de poesias.
Poemas incríveis, de uma melancolia dosada, amei, parabéns!
Grande amigo, com certeza . Aprende muito com o poeta!
Obrigado Gildo. Estou lendo suas postagens também.
Agradeço. Mesmo!
Parceiro, Seu comentário foi uma injeção de animo, me fez sentir importante. Muito obrigado e volte sempre. Jaime