Lista de Poemas

Não, outra vez...


Não pronuncie meu nome,
Sequer na calada da noite,
Sequer na solidão de seu quarto,
Nem ao menos, sussurre...

Meu coração estará atento
E certamente ouvirá.

Não balbucie que ainda me ama
Nunca fale em saudade.
Não invoque lembranças
Jamais relembre momentos...

Meu coração ainda se ressente do adeus
E a ferida aberta pode sangrar até a morte.

Esqueça tudo o que juntos sonhamos,
Afaste qualquer pensamento do nosso passado.
Não roce seus lábios no travesseiro,
Procurando relembrar nossos beijos...

Meu coração não suportaria
Reviver nem por um momento, nosso louco amor.
108

Luz de um querer


E sem que se perceba, acontece...
Em meio à multidão, um rosto se destaca.
Ou na convivência de tempos, acontece o olhar diferente,
Uma conversa interessante, uma palavra marcante e tudo se modifica.

Passamos a notar alguém de uma forma especial
e nos surpreendemos por vezes, pensando neste alguém.

Nosso olhar se dispersa do mundo em nosso entorno
e nos distraímos imaginando uma vida a dois...

Como seria?

Essa é a magia da vida, a força mágica do amor.
Instala-se por acaso ou constrói-se com o tempo.

Pode ter início com uma paixão avassaladora ou com a calma da razão.
Uma semente, levada pelos ventos... O solo fértil ou o solo árido que a acolher, decidirá sobre a força da frondosa árvore ou a beleza da delicada flor que irá germinar.

Amar requer cuidar.
Assim construímos o que será do nosso amor.

O fulgor passageiro de uma paixão  ou a luz de um querer infinito.
162

Interiores


Nada! Silêncio no ar.
Ouça essa melodia...
Nenhuma voz a cantar, nenhum instrumento a tocar...

Seria o seu certo e errado,
Seria o seu sim e seu não?
Se vem de seu interior,
Seria a tal voz da razão?
Ou só o desconhecido,
Que não lhe cabe nas mãos?

Nada nos prende à vida, a não ser, o próprio viver.
E assim vamos vivendo, para ver e acontecer.
Para causar o mal e depois desejar o perdão,
Como se ser perdoado fosse alguma solução...

O belo é apenas conceito,
O feio tão só ilusão.
O eu, não tem aparência,
Apenas engana quem vê...
Todo fim, é um começo,
Onde o final se prevê...
155

Delírios da saudade


“Ouço passos pela casa, mas estou só!
Atravessam a sala de estar
E começam a subir as escadas.
Encolho-me sob as cobertas. Sinto gelar-me a espinha.
Agora, ouço caminhar pelo corredor. 
Para em frente a porta do quarto...
Está trancada, mas a casa toda está!”
 
Toda noite, é assim...
Deito-me... Esqueço de mim
E penso somente nela.
Por vezes, subindo a escada, 
Em outras, olhando à janela.
 
Chega a deitar-se ao meu lado, 
Sinto o colchão ceder...
Posso sentir seu perfume
Suave, me envolver.
 
Delírios da saudade, 
Pesadelos das lembranças.
Sei que jamais a verei, 
Mas nunca perco a esperança...
153

Decerto, estou certo.


Que se calem as vozes interiores, se me falam do certo ou errado,
Já que à vida estou disposto e ao destino, fadado...
O certo é não ser errado, mas afinal, o que é certo?
Viver da forma que penso ou como pensa o inverso?

Se penso que estou certo, da mesma forma outrem,
Que julgo estar errado, pensa estar certo também.
Qual o padrão que assumo, para ter total clareza,
E não passar minha vida, dentro desta incerteza?

É importante estar certo? Ou pensar assim é errado?
Tenho medo de assumir e ver que estou enganado.
Procuro agir na verdade, dentro de minhas certezas
E para isso confesso e digo com toda a franqueza:
Para agir certo ou errado, é preciso sutileza...

O certo é sempre estar certo e errar nunca convém.
Assumo esta realidade, sem perguntar a ninguém.
Se acharem que estou certo, então, estão certos também...
292

E o tempo soprou

E o tempo soprou, como o vento que passa...
Como folhas secas, os dias foram-se desprendendo, um a um, carregando  sonhos que morreram ao longe, forrando o chão seco da vida.
As horas se tornaram silentes, observando o entardecer, enquanto o sol, que ainda a pouco dourava meus cabelos brancos, escondia-se no poente e a lua surgia como dona dos céus, tingindo de prata a noite em prenúncio.
 Ah! Destino, meu destino!
Devolva-me as horas roubadas e as manhãs de ilusões...
Faça minha ultima morada junto aos rios, para que levem minhas saudades, deixando que elas desaguem nos mares do esquecimento...
Ou faça-me criança, para que possa mais uma vez  ver a vida, a sorrir...
173

Luzes do outono

Eram pálidas as luzes do outono.

Mal se conseguia notá-las através das copas emagrecidas das jabuticabeiras do pomar.

No ar um certo “quê” de melancolia pairava.

Meus olhos marejados de expectativas fixavam-se no caminho sinuoso, de terra batida, que perdia-se por detrás dos morros.

A mesma e velha agonia que não me deixava em paz e dia após dia fazia renovar em mim a esperança de vê-la voltar.

Ah! Saudade, saudade...

Em teus braços tenho passado as noites e minhas lágrimas já não conseguem trazer o consolo de que tanto preciso.

Que dor é essa que arranha a alma, apunhala o coração e sangra em desejos cor de sangue...

Ah! Vida, vida...

Esvai-se em minhas mãos e não tenho forças para detê-la, para ter ao menos mais um dia...

Um dia para sonhar, um dia para voar em pensamentos e imaginar seu vulto aparecendo

na última curva da estrada, onde meu olhar possa alcançar...
178

Borboletas

Baila no ar, sutileza,
Tanta leveza se vê...

Dança ao murmúrio dos ventos,
Como fossem pensamentos,
Que o mundo pudesse ler...

Asas que enfeitam a vida,
E até a paisagem se olvida,
De se fazer perceber...

Prima-se em devaneios,
A cada frágil volteio,
Que nos faz enternecer.

Brinque no ar, borboleta,
Mostre essa sua faceta
De bailarina dos céus...

Os movimentos da dança
Tornam-te assim, tão bonita,
Indiferente aos labéus.
103

Reflexo vazio.


Quando a luz da realidade, entrar por aquela janela, tudo estará consumado!
Sonhos, planos, expectativas, futuro... O que imaginamos que seria, do fulgor do ímpeto à sutileza da cautela!
A verdade irá clarear enfim, qualquer ponto até então obscuro.
 
Quando soprar a brisa das reflexões serenas e o "por quê" nos questionar, certamente não estaremos convictos de forma a responder...
Nossas lembranças embaralhadas não saberão explicar, tudo aquilo, que nunca conseguimos, ou ao menos, tentamos  entender.

Quando o vazio ficar refletido pela luz que agora ao quarto adentra, e sentirmos o quanto pode machucar a desventura de se sentir uma ausência, sentiremos o peso da dor que em nosso peito  se concentra,
E o quanto amarga na boca o sabor da desmedida prepotência.

 Quando afinal, nos depararmos com as consequências de nossos atos, deixarmos de lado nossas razões e assumirmos a ampla humildade, vamos entender que os inúmeros motivos que nos levaram a esse  fato, não irão justificar, nem por um momento, o sofrimento que causa uma saudade.
179

Um outro dia



E quando meu olhar inundou-se de saudades,
Senti que rolavam em minha face
Gotas salgadas de sentimentos,
Que em meus lábios procuravam  morrer...

Quando meu coração ressentiu-se da ausência,
Meus sentidos aquietaram-se
E sucumbiram ao destino
Perdendo a razão de ser.

E cobrindo meu rosto com as mãos
Entendi o que seria essa solidão.
Meus olhos fechados desenharam em minha mente
O relato cruel do significado do adeus.

Ensine-me essa magia, vida!
Mostre um caminho, acenda uma luz.
Deixe-me adormecido enquanto existirem noites vazias
E faça-me esperança quando o sol criar outro dia.
105

Comentários (32)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Edelberto Barào
Edelberto Barào

José Roberto Under

Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.

Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.

Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.

Natural de São Paulo.
Nascido a 07 de março de 1950.