Mornas eram as tardes em que te amava, Entre cálidos beijos com sabor de verão. As brisas leves ao passar anunciavam Esse tempo, marco maior da nossa paixão.
Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar? Segundos correndo atrás de segundos... Não sabem dos amores que como o tempo, Transformam os corpos amantes em vultos?
Restou somente em nossas memórias, Um sonho que poderia ser eterno... E como doce lembrança, sobrevive, Ao gélido sopro do amor no inverno.
E sem que se perceba, acontece... Em meio à multidão, um rosto se destaca. Ou na convivência de tempos, acontece o olhar diferente, Uma conversa interessante, uma palavra marcante e tudo se modifica.
Passamos a notar alguém de uma forma especial e nos surpreendemos por vezes, pensando neste alguém.
Nosso olhar se dispersa do mundo em nosso entorno e nos distraímos imaginando uma vida a dois...
Como seria?
Essa é a magia da vida, a força mágica do amor. Instala-se por acaso ou constrói-se com o tempo.
Pode ter início com uma paixão avassaladora ou com a calma da razão. Uma semente, levada pelos ventos... O solo fértil ou o solo árido que a acolher, decidirá sobre a força da frondosa árvore ou a beleza da delicada flor que irá germinar.
Amar requer cuidar. Assim construímos o que será do nosso amor.
O fulgor passageiro de uma paixão ou a luz de um querer infinito.
177
Viver, por amor
E quis lhe falar de amor... Mas, de que amor me fala? Perguntou... Fala de amor, ou fala de desejo? Fala de amar, ou de querer para si? Fala de amor ou da própria realização?
Porque amar é entregar e não, receber. Porque quem ama se doa e não toma para si. Porque quem ama quer a felicidade de quem se ama, Porque quem ama não pensa apenas em sua própria realização.
Falo de amor, respondi. Falo da admiração que tenho por você, Falo dessa vontade imensa de cuidar de você, Falo desse sonho de lhe fazer feliz, em todos os momentos, Porque só na sua felicidade me sentirei recompensado, Mesmo que para isso precise abdicar da minha própria felicidade.
Porque quem ama de verdade, protege, Quem ama de verdade, supre, Quem ama de verdade, acolhe, Quem ama de verdade, se entrega.
Porque quem ama de verdade, vive por esse amor!
150
Ciúmes
Ah! Ciúmes, ciúmes Que não me deixa dormir Fica a furar-me as entranhas, Como um punhal, a ferir. Esse medo de que o que tenho, O tenha também outro alguém, É o meu maior martírio, E não o desejo a ninguém. Acordo na noite, assustado, Penso onde você possa estar... Dúvidas me inundam a cabeça! Preciso me controlar... Se me falam ser ciumento, Disfarço, mas não me entrego. Juro que não o conheço, Mas junto a mim, o carrego. Ah! Ciúmes, ciúmes Que nego, renego e desdenho! Não quero sentir, mas o sinto. Não quero ter, mas o tenho!
197
Saudade
Dor que meu peito invade, Nostalgia, ansiedade... Tantas coisas se resumem Em uma palavra: Saudade!
Saudade, dor por não ter Não ver, não poder tocar. É um aperto no peito, Que não tem como explicar.
Saudade, intensa agonia, Que inunda o coração. É um querer ir embora, Que não justifica a razão.
Saudade, quanta ansiedade Por fazer acontecer... Sentir, dentro do abraço, Aquilo que não pode ter.
Saudade, tormento da ausência, Que os sentimentos alcançam. É morte, brincando de espera É vida, buscando esperanças.
178
Desencontros
Quero marcar um encontro com você. Que tal nos encontrarmos, no nosso passado? Naqueles mesmos lugares, em que tantas vezes nossos olhos se fizeram brilhar de alegria. Olha... Poderíamos caminhar de mãos dadas pelas ruas. Era tão bom... Sentir de novo aquele aroma misto de felicidade e esperança... Quem sabe, voltarmos a sorrir de forma franca e aberta, como fazíamos naqueles dias. Lembra? Um sorvete de casquinha, uma pipoca doce, um cinema? Poderíamos procurar por aquela alegria de viver que sempre nos acompanhava e que foi se afastando, sem que percebêssemos. Que tal seguirmos pelas calçadas olhando vitrines e cantarolarmos aquelas músicas que marcaram nossos momentos? Por que deixamos que tudo isso caísse no esquecimento? Por que mudamos nossos costumes e nossa forma de ver a vida?
Por que nos desencontramos?
191
Delírios da saudade
“Ouço passos pela casa, mas estou só! Atravessam a sala de estar E começam a subir as escadas. Encolho-me sob as cobertas. Sinto gelar-me a espinha. Agora, ouço caminhar pelo corredor. Para em frente a porta do quarto... Está trancada, mas a casa toda está!”
Toda noite, é assim... Deito-me... Esqueço de mim E penso somente nela. Por vezes, subindo a escada, Em outras, olhando à janela.
Chega a deitar-se ao meu lado, Sinto o colchão ceder... Posso sentir seu perfume Suave, me envolver.
Delírios da saudade, Pesadelos das lembranças. Sei que jamais a verei, Mas nunca perco a esperança...
164
Quanto?
Quantas noites de luar ainda cabem em sua alma? Quantas madrugadas de verão ainda cabem em seus sonhos? Quantas noites insones ainda cabem em sua vida? Quantas estrelas cabem no céu de seu infinito? Quanto amor ainda posso lhe entregar, que caiba em seu coração?
133
Resigno
Não queria amar... Mas amo!
Não queria sofrer... Mas sofro!
Que ingenuidade a minha, ao imaginar-me senhor de meus sentimentos.
E sinto esse amor puro, perfeito, moldado para a minha vida.
E assumo como vencido que sou, a submeter-me a seus caprichos.
Não queria aceitar... Mas aceito!
E transformo meus dias de sol em noites de inverno e sobre minha cabeça cai a garoa fria da sua indiferença.
Mesmo assim espalho pétalas a seus pés.
Não saberia como viver assim... Mas vivo.
155
Luzes do outono
Eram pálidas as luzes do outono.
Mal se conseguia notá-las através das copas emagrecidas das jabuticabeiras do pomar.
No ar um certo “quê” de melancolia pairava.
Meus olhos marejados de expectativas fixavam-se no caminho sinuoso, de terra batida, que perdia-se por detrás dos morros.
A mesma e velha agonia que não me deixava em paz e dia após dia fazia renovar em mim a esperança de vê-la voltar.
Ah! Saudade, saudade...
Em teus braços tenho passado as noites e minhas lágrimas já não conseguem trazer o consolo de que tanto preciso.
Que dor é essa que arranha a alma, apunhala o coração e sangra em desejos cor de sangue...
Ah! Vida, vida...
Esvai-se em minhas mãos e não tenho forças para detê-la, para ter ao menos mais um dia...
Um dia para sonhar, um dia para voar em pensamentos e imaginar seu vulto aparecendo
na última curva da estrada, onde meu olhar possa alcançar...
192
Decerto, estou certo.
Que se calem as vozes interiores, se me falam do certo ou errado, Já que à vida estou disposto e ao destino, fadado... O certo é não ser errado, mas afinal, o que é certo? Viver da forma que penso ou como pensa o inverso?
Se penso que estou certo, da mesma forma outrem, Que julgo estar errado, pensa estar certo também. Qual o padrão que assumo, para ter total clareza, E não passar minha vida, dentro desta incerteza?
É importante estar certo? Ou pensar assim é errado? Tenho medo de assumir e ver que estou enganado. Procuro agir na verdade, dentro de minhas certezas E para isso confesso e digo com toda a franqueza: Para agir certo ou errado, é preciso sutileza...
O certo é sempre estar certo e errar nunca convém. Assumo esta realidade, sem perguntar a ninguém. Se acharem que estou certo, então, estão certos também...
Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.
Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.
Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.
Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.
Meu caro poeta... JRunder - teus versos são muitos reais , como você escreveu - o amor é doado - aceita-o quem o quiser. parabéns. Ademir.
Solidão, liberdade e companhia propria.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Lindos poemas. Com muito sentimento.
De oásis em oásis, sobrevive a poesia. Um achado!
Um tesouro.
Tem algum livro editado com estes poemas?
Bonitos poemas.
Dificil saber qual o mais bonito.
Excelente! Parabéns por tanto sentimento exposto em forma de poesias.
Poemas incríveis, de uma melancolia dosada, amei, parabéns!
Grande amigo, com certeza . Aprende muito com o poeta!
Obrigado Gildo. Estou lendo suas postagens também.
Agradeço. Mesmo!
Parceiro, Seu comentário foi uma injeção de animo, me fez sentir importante. Muito obrigado e volte sempre. Jaime