Adriano Teles

Adriano Teles

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Ataraxia


Acordo
Antes de ver a luz solar,
Clareia a minha cara a luz do celular
Imediatamente sou inundado
Submerso nessa realidade
Sem saber o que é falso ou verdade
Com tanta tecnologia
A vida foi perdendo a magia
O que antes aproximava
Agora distancia
vicia

Hoje, todavia
Não quero saber de nada
Nada além do que não posso tocar
Fico com o concreto, o tangível
Por mais que pareça impossível

Cansei
de me preocupar
de tentar me antecipar
ao que não posso alterar
A vida é o aqui e o agora
Mas o dispositivo me transporta
Faz com que o tempo eu não perceba
Rouba minhas horas
E ainda tenho de lidar com o fato
de ser, ao mesmo tempo,
a vítima e o autor
Quem será o júri?
A pena já cumpro

Tivera eu nascido
Algumas décadas atrás
Quando amigos eram encontrados,
e não adicionados
E notícias vinham em folhas de jornais
Quando pessoas eram mais
que a mera ideia delas
E abraços não eram virtuais

Hoje, no entanto, não vou acelerar
O trem veloz pode passar
Permaneço nesta estação
Resistirei a essa maldição
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Poemas

16

Fim da linha

Não me toca mais nossa trilha sonora
Enquanto assisto à torta assar no forno
Sinto asco do beijo, do sexo morno
E falta do frio no ventre de outrora

Pra te ver, já não conto mais as horas
Tento chamar tua atenção, sem retorno
Calo para evitar qualquer transtorno
Quando vens, incomoda se te demoras

O brilho do olhar há muito se foi
Não me fazes mais sentir-me importante
Insistir já não é mais uma opção

Não carece pedir que eu te perdoe
A tua incúria é totalmente aviltante
Vai embora! A chave deixa no balcão
252

A mi me gustan ellos

Me gustan los ateos, los libres de verdad,
que siguen su conciencia, su propia voluntad.
Sin dogmas ni cadenas que frenen su razón,
su brújula es interna, su guía el corazón.

Si ayudan a alguien, lo hacen por bondad,
no esperan recompensa ni falsa eternidad.
No temen a castigos ni al fuego del averno,
ni buscan el consuelo de un cielo sempiterno.

No sufren la hipocresía de algunos creyentes,
asumen sus actos, son claros, coherentes.
No culpan a demonios ni excusan su maldad,
su sombra les pertenece, suya es la lealtad.

Y viven con más valor, con plena intensidad,
pues saben que esta vida es toda su verdad.
Sin un más allá, aprovechan el ahora,
el tiempo es un tesoro que nunca se demora.

Acércate a un ateo si quieres comprender,
lo que quizás sea Dios, no es algo a temer.
 

172

White Flag

I allied with the fiercest of my foes, 
The terms, I knew, would ask a heavy cost. 
It steals my strength and takes what I love most, 
Yet in the end, to it my journey goes. 

It claims my body, claims my fleeting breath, 
Its shadow looms, unyielding and severe. 
Yet moments rise, like stars to calm my fear, 
Within its grasp, I learn to dance with death. 

Relentless, Time commands me as its pawn, 
And binds me to its vast, eternal game. 
It leaves me lonely, though it fans the flame, 
Of hope through those who greet me at the dawn. 

Unyielding but sincere, it keeps its vow, 
Demanding truth in all I think and say. 
In turn, it gives me strength to heal the day, 
And gifts of beauty, justice, here and now. 

I must not falter, must not play with lies, 
For honesty is what it does require. 
Its payment comes: to lift me ever higher, 
And show me all who truly stand nearby. 

Relentless, yet it bears a gentle tone, 
The mighty Time that shapes my fleeting stay. 
I’ll never tame it, but along the way, 
Its wisdom grants me power as my own. 
---

O poema foi traduzido para o inglês do original em português pela IA ChatGPT.

 

276

In absentia luci tenebrae vicunt

Tu és morada

do bem e do mal

Da luz e da sombra

Do vício e da virtude

 

Lembra-te!

É tua a decisão

Do que ao mundo entregar

Para o mal prosperar

basta tua bondade calar.

Para a escuridão prevalecer

basta tua luz não acender.

 

Acenda-te!

Os opostos não são equivalentes

Ao mais sutil brilho não há sombra resistente

O bem é mais forte que o mal

O amor é a maior potência universal
209

Soneto da Circunspecção

Tua personalidade invectiva
Outrora gozava da prerrogativa
Da minha paz infringir
Do meu sossego atingir
 
Tua forma de velar meias verdades
De ocultar infame imbecilidade
Outrora me provocava furor
Agora,  atesta teu próprio desamor
 
Ah! Quantas vezes me intoxiquei!
De ódio, chorei e me inebriei...
Com o veneno da tua ironia ofídica
 
Mas aprendi que a energia é fluídica
E o que em mim não repercute
Tampouco altera meu azimute.
189

La vertu de l'humanité

L'homme ne naît pas humain
L'humanité ne vient pas de la naissance
Cela ne dépend pas non plus de la croyance
C'est une réussite, plus qu'un don
Si tu as besoin de quelqu'un pour te convaincre
Peut-être que tu meures en attendant
Seulment par l’expérience cela s’apprend

C'est en contact avec ton prochain
Avec les larmes d’un imigrant
Avec un commentaire peu élégant
Avec l’orgueil d’un docteur arrogant
Avec la simplicité des ignorants
Avec la sincérité de les enfants

Ne l’oubliez pas, tu est co-auteur de la création
Tu as le pouvoir de créer et de détruire
De nettoyer et de polluer
D'exclure ou d'accueillir
Comme une bête sauvage, attaquer
Ou, comme un dieu, aimer.
Mais si tu veux que le vent fasse tourner le moulin
Il faut d’abord devenir humain.
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