Heróis da fé
Em meio aos mais extremos perigos,
Houve missionários de Deus corajosos...
Homens de zelo e de reverência revestidos
Por desafios sublimes e rigorosos.
As suas melhores obras ficaram eternizadas
Para testemunhar a força do amor
Do único que, para as criaturas amadas,
Propiciou a todos redenção, fé e destemor.
Tantas ciladas, trapaças, vilezas e perseguições
Não puderam impedir o sincero fervor
Dos profetas incansáveis em boas ações.
Estes viram vitórias e descobertas de valor,
Até que o anuncio das mais inefáveis revelações
Fossem proclamadas com todo heroísmo e louvor.
Tempo de paz
Como é libertador esse silêncio
Governado pela majestosa claridade
Da paz reinante e ostentada
Por homens contra a discórdia mobilizados!
Ao ouvirmos uma doce e suave harmonia
Entoada de uma incógnita
-A mesma, emanada das profundezas do amor!-
Ficamos entusiasmados
E profundamente apascentados
Enquanto contemplamos
O inaudito recém-providenciado...
Há instantes em que sentimos no íntimo
Uma serenidade que ameniza
Os turbilhões de nossos dramas mais secretos,
E assim agradecemos o despertar
De uma nova vida!
Ouvir serenamente
O cântico dos pássaros em revoada
E também a beleza das canções suaves
Executados nos momentos de soturna quietude;
E, por fim, os ruídos
Melodiosos do misterioso oceano
Resvalando suas ondas
Contra os rochedos
Aparentemente inquebrantáveis:
É o que nos dá grandes esperanças
De que é chegado o tempo
Para se entusiasmar
Diante de momentos excelsos de paz,
Um bem tão precioso e delicado
Que somente um cenário próspero
Pode tão bem proporcionar...
Para onde foram as dores dos oprimidos,
O riso estúpido e malévolo dos tiranos
E todas as desavenças dos seres humanos
Impulsionados pela ganância e pelo orgulho?
Para onde foram os gemidos
Sem fim dos enfermos
Em cantos degradantes desamparados?
Assim como o rangido fervilhante
Das grandes metrópoles
Convulsionadas pelas labutas
E que oprimem, como ervas daninhas,
As entranhas feridas de seus decrépitos?
Viver no íntimo, com profundo ânimo,
Os efeitos doces e preciosos da paz,
Consola-nos espiritualmente
Dos hediondos abalos,
Especialmente os mesmos que até hoje
Povoaram a nossa existência incerta.
Viver no íntimo as melodias da paz,
Numa sensação magnífica
De estar em paz consigo mesmo,
Consola-nos das calamidades
Que se aninharam
No interior dessa doentia
E deformada sociedade!
Em dia silencioso, sem fúria e tormento,
Contemplo a luz do dia
Afugentando as trevas
Com seus raios resplandecentes;
Por um tempo indefinido tudo se calou...
Enquanto isso, a natureza exuberante sorriu
Ao trazer a esperança desperta:
Uma esperança simbolizada
Pelo arco-íris exuberante
De um novo tempo para o ser...
Em dia silencioso, sem ameaças e desolações,
Contemplo o mistério se revelar
Com uma canção que apazígou os conflitos;
É Deus anunciando, com sinais miraculosos,
O fim de colossal tempestade
Ao fazer renascer na alma
Uma aura de paz
Proveniente de sua solicitude;
Uma profunda paz
Imbuída de alegria, exultação e plenitude...
Um dia a mais para recordar
Não há um dia que não sinta saudades,Saudades desses grandes momentos,Desses dias de transbordante alegriaQue passei com meus amigos;E nos tempos mais remotosCom os meus entes queridosQue já não existem mais...Em horas a fio, impulsionadosPor um nevoeiro de sonhos fugazes,Aproveitávamos a plenitude dos dias;Também conversavamosSobre o sentido de nossas vidasE do quanto foi maravilhoso Saborear o doce sussurroDos mais singelos instantes...Degustar o cálice das ótimas lembrançasÉ ser consciente de que na vidaHouve momentos gloriosos e (con)vivênciasPerfeitamente inesquecíveis, inspiradoras...É ser consciente de que a vidaTambém é constituída de momentosSublimes e de grandes expectativas...Os mares enriquecemDe inspiração os poetasE as estrelas cintilamPara nos fazer sorrir e devanear...Mas é tão breve as alegrias da vida!É tão breve quantoUma longa viagem sem destino...Como tem sidoBreve os momentos de inspiraçãoE também Breves e rarosOs momentos em que estamos próximosDe pessoas verdadeiramente autênticasE incrivelmente cordiais, sinceras!Tudo some, tudo morre,Tudo o que existe um dia se esvai...Eu vejo o fim de tudo,Vejo o fim dos momentosQue prolongaram-se em demásia...Eu vejo o fim das alegriasE das tristezas...Vejo, sobretudo, o fimDas tempestadesE das calmarias...E também um prazo Para os ressentimentosQuando temos coragemPara enfrentá-los...(Sim, até mesmo todo esseÓdio pode envelhecer e agonizar!)A prosperidade e a misériaTambém estão à mercê Das mudanças implacáveisQue foram ocasionadas pelo tempo,
O tempo que tudo consome e expira!
Uma chama incerta,Assim é o tempoQue nos foi dado para viverSobre a face dessa terra
Povoada de amarguras repentinas
E voluptuosidades efêmeras.
O que sobra mesmo são os resquícios Dos fragmentos vividosE uma doce melancoliaQue embala as nossas noitesAo sabor de uma cançãoConsideravelmente intempestivaE de melodias confortávelmenteMisteriosas e saudosistas...Ao semear dias inesquecíveis,Colhi um mosaíco de lembranças,Vagarosas lembrançasQue encantam e adornam a vidaDe experiências que edificam!
Tais experiências ainda eu quero que perdurem
No recanto mais secreto do meu coração.
Mas elas só irão prevalecer em mim
Enquanto eu for irradiado e animado
Por uma força íntima,
Uma força misteriosa e secreta que me traz à vida
E tem até hoje me feito continuamente caminhar...
Enfim, dentro de mim reina
Uma motivação que insiste, até esse momento,
Em trazer à tona reminiscências alegres,
Reminiscências que me ensinam
Que na vastidão de meu ser
Elas devem permanecer!
Em busca do paraíso perdido
Uma jornada incrível de vivências, degustei;
Em estradas de sonhos inspiradores, percorri;
E ao evocar uma vastidão de memórias,
Saudades arrebatadoras eu senti!
E, então, descobri o fim, a evanescência
E o esgotamento de todas as coisas.
Mas, mesmo assim, nada foi em vão:
Encontrei pelo caminho da aventurança
Belas jóias de alegria, de ternura e de amor
Quando estive ao lado da mais bela flor
Regada pelo orvalho da esperança.
Os caminhos que trilhamos
Estão confusos e cheios de sinuosidades:
Sem luz espiritual onde encontrarmos
A resposta para nossas inquietações?
Ao mergulhar nas águas da renovação
Para superar os constantes desfalecimentos,
Encontro milagres, sinais e maravilhas
Que indicam as belas fontes de águas vivas;
São constelações de sabedoria
Que estão a espreita
De nossos incertos passos...
Tantas manifestações preludiam o despontar
De um perene paraiso para a alma se fortificar.
O mundo parece carecer de fundamento:
Nas metrópoles fervilha a pressa e inquietude.
Todo esse caos que se inflama diariamente
Tenta convencer sobre a vanidade do nosso viver;
Os dias, consumidos pela decadência,
São maus e hediondamente sombrios:
Pois o medo e a dor; o o sofrimento e a agonia
Intentam incessantemente devorar
O nascimento da esperança e o sonho de amar.
Ao embalo dos dissabores e das frustrações,
E em meio a tantos escombros e ruínas,
A luta se torna questão de honra e de valor,
Especialmente para quem ainda sente a coragem
Imperiosa de um herói incrivelmente inspirado
Frente a desoladora realidade do incurável.
Mas quem está disposto a fertilizar
A terra e os solos da alma,
Para que as sementes ali depositadas
Possam florescer um novo folego de vida?
Embora distante do paraíso mais glorioso,
Da pátria eternal da bem-aventurança,
Em lágrimas seguro o candeeiro da esperança
Na busca de um oásis, de um lar,
Para que minha alma possa descansar!
E apesar da distância que me separou
Do paraíso que um dia se perdeu de mim,
Quis divagar sem temor no reino
Das intuições e percepções mais marcantes;
Enquanto isso, tais revelações se tornavam
Significativas para o fortalecimento do meu ser.
Erguendo-me com asas feridas,
Num processo longo de fortalecimento,
Ensaio pequenos voos pelos ares;
Até que possa um dia alcançar
A atmosfera das inspirações
Mais sublimes, verdadeiras e resplandecentes.
E no triste exilio da inocência perdida
Aspirei, ao paraíso da serenidade, um dia retornar.
Pois nos longos nevoeiros da vida
É que despertei o dom para, nas alturas, triunfar!
Quando eu vejo
Quando eu vejo a imensidão do mar,
Quando eu vejo as suas ondas se erguerem soberanas,
Eu posso sentir a alegria pulsar no meu coração
Como uma criança entusiasmada
Pela surpresa de uma novidade.
Nas suas águas infinitas, no seu sussurro voluptuoso,
Eu então renovo a minh'alma
Na certeza de uma paz interior significativa.
Quando eu vejo o azul do céu
E os raios solares resplandecendo
O verde das árvores, dos outeiros e das campinas,
Bem como toda a natureza circundante,
Eu consigo sentir uma esperança renascendo
Em meio a exuberância de um dia
Límpido e repleto de luminosidade,
De um dia reservado para toda alma onírica.
Quando eu vejo o amor verdadeiro
No coração dos homens íntegros e valentes,
Eu me liberto na contemplação
Da presença da vida ainda tremular...
E então nutro a certeza de que ainda
Vale a pena viver para apreciar com todos os sentidos
O azul do céu, a luz solar, as águas infinitas do mar
E o perfume de toda a natureza ao meu redor.
No meu silêncio
No meu silêncio, eu vejo que sou singular
Na minha estranheza e no que mais amo e aprecio.
Eis que uma nova aspiração tem feito parte do meu viver,
Sem mais precisar olhar com amargor
Para minhas reminiscências lancinantes
E para o que não integra mais o meu mundo.
No meu silêncio, eu aprendo a cada dia
Descansar enquanto oro ao meu Criador.
Eu, quando estou taciturno, me consolo
Na alegria de saber que minha vida é o bem mais precioso
E que nessa minha momentânea solidão eu sou livre
Para os sublimes atos de criar, de sonhar e de meditar.
No meu silêncio, eu descubro
O prazer inocente da poesia ardendo no meu coração
E a lucidez afiada que me abre para a busca
Da verdade que me leva a um grande despertar.
No meu silêncio, eu aprendo a saber quem eu sou
E a jamais abrir mão do que eu acredito para obter aceitação.
A luz do invisível
A luz de uma verdade libertadora me orienta
Longe dos caminhos escuros e pedregosos;
Sinto uma luz de amor que acalenta
O meu ser dos invernos mais tenebrosos.
Permiti que brilhasse a luz do discernimento
Na minha alma que se desfez da intemperança
E dos velhos hábitos sem um veraz fundamento
Que podesse propiciar o arco-íris da esperança.
Para além dos muros imponentes e colossais,
Para além das desoladoras calamidades,
Consigo ver o descortinar de belos sinais
E o sol da justiça a destronar tantas iniquidades.
Para além das luzes superficiais do engano,
Para além do caos das grandes cidades,
Consigo enxergar um amor soberano,
Incindindo livramentos contra as fatalidades.
Uma luz invisível dia após dia me conduz
À glória de uma vida renovada;
Evoco uma palavra que no meu coração reluz,
Uma palavra de consolo para minha alma exilada.
Amores evanescentes
Na intensidade e na ardência da uma paixão,
Está presente um desejo sujeito a efemeridade,
Um desejo que atinge em cheio o coração
Ferido pelo afã de viver um amor de verdade.
Tão logo se processa o enfraquecimento
De um elo sem quase haver lealdade e respeito,
O ódio manifesta um total desalento
Nos corações enregelados pelo despeito.
Todas as promessas de uma co-existência
Adornada por uma imorredoura aventurança,
Vão então ao fim quando o amor perde consistência.
Nessa era de relações sem confiança,
O amor se torna perecível, fugaz e sem cadência,
Embora muitos ainda alimentem colorida esperança.
Ser sonhador
Ser um perfeito sonhador é, mesmo no exílio, cruzar
As fronteiras do inimaginável
Em busca de um oásis para alimentar
A Sua vida de uma esperança inigualável.
Ser um incansável sonhador é viver de infinda gratidão,
Mesmo numa situação hostil, cheia de insegurança;
E também nunca deixar morrer no coração
O sentido mais elevado para uma vida de perseverança.
Viver como josé no Egito, em terra estranha,
É manter os sonhos e a paz ainda vivos,
Assim como a confiança em Deus manter ganha.
Assim como José em meio aos cativos,
O sonhador crê que vive uma façanha:
Viver na busca de desígnios não esquecidos.
Para sempre
É possível que quase tudo pode se acabar,
Mas esse amor ainda estará guardado
Como uma força que nunca irá se findar
Até a consumação do meu ser sincero e enamorado.
Para sempre permanecerão as suas memórias,
Reinando num lugarzinho secreto do meu coração...
Para sempre os nossos momentos de glórias
Fecundarão a minh'alma com a sua reverberação.
E as suas fragrâncias para sempre ficarão
Descansando em algum recanto do meu ser
Grato pelas alegrias sentidas que se perpetuarão.
É possível que tudo aqui pode envelhecer,
Mas esse amor eu lutarei para a sua preservação
Mesmo quando, como o dia, eu vier a desvanecer.