Alekz Fergues

Alekz Fergues

n. 1987 BR BR

“Quem ousaria fazer leis aos amantes, visto que o amor, por si só, é uma lei maior?” Boécio

n. 1987-12-05, Diadema

Perfil
3 706 Visualizações

A Busca

Quem já não viu o amante contemplar,
De olhar fixo num ponto, horas de sonhos
E com a alma fora do corpo em êxtase?

Ai, quem lembra, dos dias gelados de inverno
Ou dias quentes de verão, diga-me:
Foram anos para entender a dança de estações.

A memória de criança proporciona alegorias,
Ainda mais quando feitos de prazeres inefáveis,
O amor, como sempre tivesse falado, de meu íntimo.

Mas não te enganes, não esqueci dos desenganos cruéis,
Enquanto me mantive refém das quatros paredes
Em noites que somente a lua sobrava inspiração.

Testemunhem o papel e a tinta expressarem,
O coração parar no estômago de tão ferido,
Da esperança que nunca morre, mas o inferno é isto.
Ler poema completo

Poemas

4

Noites

Seja minha fonte eterna
Pra que nela acabe a sede,
Minha noite na taberna
Quando a sua bebida pede.

Nota-se quanto te quero
Somente a quero e mais beijos
Desejo infernal venero
Satisfazei meus desejos!

Daquela noite à beça
Talvez nunca mais terei,
Sou feito agora de inveja
Ao outro que se tornou rei

Pra que amo minha amada?
Ser jogado como um lixo
Minha alma sendo julgada
Assim como foi a de Cristo

Nas noites de quando a espero
Este anjo a quem tanto chamo
Não aparece e desespero
E imploro ao dizer que te amo.
340

Cartas para amada

Cansado, nesta noite minha amada,
Ainda esperança faz parte de mim...
Se for mais um acaso, tenho o nada
Na vasta imensidão não existe o fim.

Minha esperança é tão pequena amor
E tanto espero estar em seus cuidados
Sou fraco, tolo e tenho toda dor
Como uma criança não conhece os atos!

Cada palavra forma em meu recanto
Um ser amargurado contra o tempo,
Se contra o tempo nunca existe um santo.

Como as estrelas tomam seu destino
Meu rumo, minha trilha eu mesmo invento
Mesmo que o mundo seja ainda um perigo.
270

Poucas Notas

Poucas notas nesta canção
Recordando meu passado,
Por amor tinha guardado,
Deveriam sumir mas não...

Mas agora estou magoado
Em memória do passado,
Sinto dor e sufocado
No relento em ser calado.

Soa tão triste a solidão,
Toda cor sem vida ecoa;
Todo tempo passa a toa,
Deveriam sumir mas não...

Em um ritmo lento a tarde,
Noite engole o tom vermelho,
Soa-me outro tom ao vê-lo,
Nenhum som se encontra a parte.

Neste piano a minha mão
Passa um tom desafinado
E sabendo que está errado,
Deveriam sumir mas não...
279

Ode à Sofia

Numa noite de estrelas, o Hipnos tocou minha alma melancólica
Já sabemos que o sonho são imagens da mente e consciência simbólica
É tal matéria-prima da imaginação, tem como lapidar
E quem guia o coração, a paixão e a razão tem que se equilibrar
Que seja ouro ou diamante, o último será o primeiro, eis o amor
Luz da vida, transcende qualquer seja a forma, até mesmo o seu autor

Como deves saber, este é o meu monólogo com as estrelas
"Ora, ouvir estrelas?" O poeta sabia! E só é triste não vê-las
Mas em sonhos estou entre elas, pois de lá que veio a minha essência
Compõem meu corpo sólido, e atravessou o tempo em sua fluência
Pois veja o que sou agora, uma coisa do mundo de certa maneira
Quão tão longe estou, que produto afinal reflete a mesma inteira?

Deito-me eternamente em seu berço esplêndido por sua natura
E peço o teu consolo, ó mãe desconhecida me tire a tristura,
Um grão filho, um rei sem coroa, ainda menino, o velho peregrino
Entoa a canção dos bardos, e dos trovadores o perdido hino
Nem tão longe da vossa graça, nem tão perto de vossa beleza
Apresentou-a de si mesma, amada Sofia, sua própria natureza

Fiz da minha alma a tua morada o seu castelo, o nosso lar poético
Então que seja idílico ou seja punk, natural ou sintético
Aqui já não jaz morto, som de magia e jazz é valsa, ou de boleros
Tal noite negra Orfeu tocou um blues, e fez a bossa nova de Eros
Porém, já muitos sóis eram passados, hoje então navegaremos
Por sonhos nunca antes devaneados, sobre as númens passaremos

O teu mundo é tão grande, e o meu tão pequeno, Sofia o que somos?
Por isso fui a Pasárgada, infeliz estava eu preso sob os domos
Pois voltei de lá rei, depois que descobri o paraíso inventado
Reflexo do jardim criado por estética e mito passado
Para o alto Parnaso depois eu parti, e as musas visitei
Que inspiraram as virgens, tal como Apolo criei um jardim que fitei

Da fonte de Castália bebi, e de ouvir apenas me inspirei
Mergulhei em tuas águas, e olvidei das mágoas as marcas que deixei
Com a lira de Apolo um legado pra Orfeu, pois quem canta compõem
Quem compõem há de ter um espírito poético assim como Poe
Assim como o sol se põe, do outro lado ele nasce, do oriente ao poente
Pois rio que nasce ouro, pela noite à luz do poeta é latente

Ouro e boro de igual ao de mercúrio doce também já tomei
Sobre a lua argentada lucífera torna a si com lauras rei
Da taça dionisíaca o louco se faz torto dentro dos espelhos
Sangra ao vinho o alquímico processo real de tons azuis vermelhos
De sua força a coragem de um leão que do ruge o céu fora azulado
Serpenteia o destino da orbe amarelada com véu esverdeado

A chegada da noite que anuncia os fios que tecem estrelares
Vem Sofia o teu amor com os meus olhos ter o bel-prazer lunares
A paz que consegui através da tua alma mater inebriante,
Aconchegar em braços de ninfas carícias de uma doce amante,
Receba-me ao encanto aos toques de afagos no âmago de ser
E quem ama não teme nem a escuridão e nem teme morrer

Com chocolate, vinho e mel tua rubra veste alegra como delícias
Sabedoria estimada, ser da intimidade que me trás carícias
Que preza a real bondade erotídeas, e bebe ares ao qual liberta
Apaixonadamente inspirada com mil rosas, é a tua coberta
Vem incerta ao amor que se autodescoberta para quem desperta
Então não desespere porque a primavera será descoberta

Assim como Calímaco conta em seus hinos, temos jardineiras
Estas nascem das árvores, são hamadríades as nossas floreiras
Anunciam com tamanha alegria a primavera em sua festa chegada
Com seus jogos florais e píticos em tua homenagem amada
Dispersam prantos quando da queda das folhas, assim despetalam
Formam forros macios quando nós dois deitarmos elas vêm e badalam

Coração marca o tempo como as notas aéreas de Bach palpitaram
Ao balé dos gracejos das sílfides, curam dores que passaram
Nos afetam orvalhos que fulguram asas da imaginação
Gotas de chuvas feitas de hidromel que caem, e confunde a razão
Vinde o maná da vida, o secreto elixir em lazúli e rubi
Pedra filosofal dos amantes das doces amritas bebi

Ao teu lado Sofia, minha imensa alegria, sejamos almas gêmeas
Nosso jardim tão belo com todas as flores, com todas as gemas,
E com todas as cores, a nossa simbólica seja octarina
Façamos dessa história o arquétipo áureo do amor qual destina
Tenhamos mais que mil e uma noites devir em nossa eterna flor
Assim seja no céu e na terra ligando estrelas ao esplendor
278

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.