Seja minha fonte eterna Pra que nela acabe a sede, Minha noite na taberna Quando a sua bebida pede.
Nota-se quanto te quero Somente a quero e mais beijos Desejo infernal venero Satisfazei meus desejos!
Daquela noite à beça Talvez nunca mais terei, Sou feito agora de inveja Ao outro que se tornou rei
Pra que amo minha amada? Ser jogado como um lixo Minha alma sendo julgada Assim como foi a de Cristo
Nas noites de quando a espero Este anjo a quem tanto chamo Não aparece e desespero E imploro ao dizer que te amo.
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Cartas para amada
Cansado, nesta noite minha amada, Ainda esperança faz parte de mim... Se for mais um acaso, tenho o nada Na vasta imensidão não existe o fim.
Minha esperança é tão pequena amor E tanto espero estar em seus cuidados Sou fraco, tolo e tenho toda dor Como uma criança não conhece os atos!
Cada palavra forma em meu recanto Um ser amargurado contra o tempo, Se contra o tempo nunca existe um santo.
Como as estrelas tomam seu destino Meu rumo, minha trilha eu mesmo invento Mesmo que o mundo seja ainda um perigo.
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Poucas Notas
Poucas notas nesta canção Recordando meu passado, Por amor tinha guardado, Deveriam sumir mas não...
Mas agora estou magoado Em memória do passado, Sinto dor e sufocado No relento em ser calado.
Soa tão triste a solidão, Toda cor sem vida ecoa; Todo tempo passa a toa, Deveriam sumir mas não...
Em um ritmo lento a tarde, Noite engole o tom vermelho, Soa-me outro tom ao vê-lo, Nenhum som se encontra a parte.
Neste piano a minha mão Passa um tom desafinado E sabendo que está errado, Deveriam sumir mas não...
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Ode à Sofia
Numa noite de estrelas, o Hipnos tocou minha alma melancólica Já sabemos que o sonho são imagens da mente e consciência simbólica É tal matéria-prima da imaginação, tem como lapidar E quem guia o coração, a paixão e a razão tem que se equilibrar Que seja ouro ou diamante, o último será o primeiro, eis o amor Luz da vida, transcende qualquer seja a forma, até mesmo o seu autor
Como deves saber, este é o meu monólogo com as estrelas "Ora, ouvir estrelas?" O poeta sabia! E só é triste não vê-las Mas em sonhos estou entre elas, pois de lá que veio a minha essência Compõem meu corpo sólido, e atravessou o tempo em sua fluência Pois veja o que sou agora, uma coisa do mundo de certa maneira Quão tão longe estou, que produto afinal reflete a mesma inteira?
Deito-me eternamente em seu berço esplêndido por sua natura E peço o teu consolo, ó mãe desconhecida me tire a tristura, Um grão filho, um rei sem coroa, ainda menino, o velho peregrino Entoa a canção dos bardos, e dos trovadores o perdido hino Nem tão longe da vossa graça, nem tão perto de vossa beleza Apresentou-a de si mesma, amada Sofia, sua própria natureza
Fiz da minha alma a tua morada o seu castelo, o nosso lar poético Então que seja idílico ou seja punk, natural ou sintético Aqui já não jaz morto, som de magia e jazz é valsa, ou de boleros Tal noite negra Orfeu tocou um blues, e fez a bossa nova de Eros Porém, já muitos sóis eram passados, hoje então navegaremos Por sonhos nunca antes devaneados, sobre as númens passaremos
O teu mundo é tão grande, e o meu tão pequeno, Sofia o que somos? Por isso fui a Pasárgada, infeliz estava eu preso sob os domos Pois voltei de lá rei, depois que descobri o paraíso inventado Reflexo do jardim criado por estética e mito passado Para o alto Parnaso depois eu parti, e as musas visitei Que inspiraram as virgens, tal como Apolo criei um jardim que fitei
Da fonte de Castália bebi, e de ouvir apenas me inspirei Mergulhei em tuas águas, e olvidei das mágoas as marcas que deixei Com a lira de Apolo um legado pra Orfeu, pois quem canta compõem Quem compõem há de ter um espírito poético assim como Poe Assim como o sol se põe, do outro lado ele nasce, do oriente ao poente Pois rio que nasce ouro, pela noite à luz do poeta é latente
Ouro e boro de igual ao de mercúrio doce também já tomei Sobre a lua argentada lucífera torna a si com lauras rei Da taça dionisíaca o louco se faz torto dentro dos espelhos Sangra ao vinho o alquímico processo real de tons azuis vermelhos De sua força a coragem de um leão que do ruge o céu fora azulado Serpenteia o destino da orbe amarelada com véu esverdeado
A chegada da noite que anuncia os fios que tecem estrelares Vem Sofia o teu amor com os meus olhos ter o bel-prazer lunares A paz que consegui através da tua alma mater inebriante, Aconchegar em braços de ninfas carícias de uma doce amante, Receba-me ao encanto aos toques de afagos no âmago de ser E quem ama não teme nem a escuridão e nem teme morrer
Com chocolate, vinho e mel tua rubra veste alegra como delícias Sabedoria estimada, ser da intimidade que me trás carícias Que preza a real bondade erotídeas, e bebe ares ao qual liberta Apaixonadamente inspirada com mil rosas, é a tua coberta Vem incerta ao amor que se autodescoberta para quem desperta Então não desespere porque a primavera será descoberta
Assim como Calímaco conta em seus hinos, temos jardineiras Estas nascem das árvores, são hamadríades as nossas floreiras Anunciam com tamanha alegria a primavera em sua festa chegada Com seus jogos florais e píticos em tua homenagem amada Dispersam prantos quando da queda das folhas, assim despetalam Formam forros macios quando nós dois deitarmos elas vêm e badalam
Coração marca o tempo como as notas aéreas de Bach palpitaram Ao balé dos gracejos das sílfides, curam dores que passaram Nos afetam orvalhos que fulguram asas da imaginação Gotas de chuvas feitas de hidromel que caem, e confunde a razão Vinde o maná da vida, o secreto elixir em lazúli e rubi Pedra filosofal dos amantes das doces amritas bebi
Ao teu lado Sofia, minha imensa alegria, sejamos almas gêmeas Nosso jardim tão belo com todas as flores, com todas as gemas, E com todas as cores, a nossa simbólica seja octarina Façamos dessa história o arquétipo áureo do amor qual destina Tenhamos mais que mil e uma noites devir em nossa eterna flor Assim seja no céu e na terra ligando estrelas ao esplendor